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sexta-feira, 16 de julho de 2010

UM ÂNGULO ESPECIAL – UM BUQUÊ DE ROSAS.

Autor: Ademar Bodemüller

Era uma manhã de um dia de semana, desses de céu aberto e muito sol. Um trabalhador dirigia-se para seu local de trabalho. Passando em frente a um templo religioso, decidiu entrar. Era uma sala muito ampla e ele sentou num dos últimos lugares, bem ao fundo. Ali se pôs a fazer a sua oração cheia de vida, dialogando com Jesus. Ouviu, então, em meio ao silêncio, a voz de alguém, cuja presença não tinha percebido: "escute, venha aqui. Venha ver a rosa." Ele olhou para os lados, para frente, e viu uma pessoa sentada num dos primeiros lugares. Levantou-se e a voz falou outra vez: "Venha ver a rosa." Embora sem entender, ele se dirigiu até a frente e percebeu que sobre a mesa havia realmente um vaso, no qual estava uma linda rosa. Parou e começou a observar o homem maltrapilho que, vendo-o hesitante, insistiu: "venha ver a rosa." Sim, estou vendo a rosa, respondeu. Por sinal, muito bonita. Mas o homem não se conformou e tornou a dizer: "Não, sente-se aqui ao meu lado e veja a rosa." Diante da insistência, o trabalhador ficou um tanto perturbado. Quem seria aquele homem maltrapilho? O que desejaria com ele com aquele convite? Seria sensato sentar-se ali, ao lado dele? Finalmente, venceu as próprias resistências, e se sentou ao lado do homem. "Veja agora a rosa", falou feliz o maltrapilho. De fato, era um espetáculo todo diferente. Exatamente daquele lugar onde se sentara, daquele ângulo, podia ver a rosa colocada sobre um vaso de cristal, num colorido de arco-íris. Dali podia-se perceber um raio de luz do sol que vinha de uma das janelas e se refletia naquele vaso de cristal, decompondo a luz e projetando um colorido especial sobre a rosa, dando-lhe efeitos visuais de um arco-íris. E o trabalhador, extasiado, exclamou: é a primeira vez que vejo uma rosa em cores de arco-íris. Mas, se eu não tivesse me sentado onde estou, se não tivesse tido a coragem de me deslocar de onde estava, de romper preconceitos, jamais teria conseguido ver a rosa, num espetáculo tão maravilhoso. É preciso saber olhar o outro de um prisma diferente do nosso. O amor assume coloridos diversos, se tivermos coragem de nos deslocar de nosso comodismo, de romper com preconceitos, para ver a pessoa do outro de modo diferente e novo. Há uma rosa escondida em toda pessoa que não estamos sendo capazes de enxergar. Há necessidade de sairmos de nós mesmos, de nos dispormos a sentar em um lugar incômodo, de deixar de lado as prevenções, para poder ver as rosas do outro, de um ângulo diferente. Realizemos esta experiência, hoje, em nossas vidas. Procuremos aceitar que podemos ver um colorido diferente onde, para nós, nada havia antes, ou talvez, de acordo com nosso modo de pensar, jamais poderiam ser vistas outras cores. Veja: quando nós rezamos, e vemos muitas pessoas rezarem o Pai Nosso de mãos dadas, gostaríamos que refletissem sobre o profundo mistério que envolvem essas mãos que se unem: A mão Jovem se une á mão idosa e entre elas, se cruza a mão eterna do Cristo. A mão fraca se une à mão forte e entre elas, se cruza a mão firme do Cristo. A mão branca se une a mão negra e entre elas, se cruza a mão santa do Cristo, que não tem raça e distinção. A mão tremula se une à mão segura e entre elas, se cruza a mão sustentáculo do Cristo. A mão calejada se une a mão sedosa e entre elas, se cruza a mão cravejada do Cristo. A mão do médico se une à mão do doente e entre elas, se cruza a mão ensanguentada de Jesus. A mão do empregado se une à mão do patrão e entre elas, se cruza a mão de mestre do Cristo. A mão da ignorância se une à mão da sabedoria e entre elas, se cruza a mão potente do Cristo. A mão pecadora se une à mão da graça e entre elas, se cruza a mão do perdão do Cristo. A mão da vida se une à mão da morte e entre elas, se cruza a mão redentora do Cristo. Lamentavelmente, somente mãos fechadas não se unem a outras mãos fechadas. Mas, mesmo assim, entre elas se põe e entre elas se cruza a mão aberta de Cristo!No colo de Jesus nós não estamos somente de mãos dadas, mas abraçados em Cristo Jesus. Juntas as mãos, formam um buquê de rosas!

sábado, 20 de junho de 2009

Não julgue precipitadamente.


Conforme o tempo passa, mais certeza eu tenho que não existe UMA verdade e sim ângulos e olhares diferentes sobre o que nos acontece. E quando vc percebe isso de uma maneira visceral, tudo se transforma na relação com o mundo e com os outros ...

Mensagem Budista:
Evite cometer injustiças com interpretações precipitadas e exclusivistas.

Dupla percepção
Você diz que é um sapo e eu juro que é um cavalo!

Lição:

Este desenho nos ensina claramente que devemos sempre respeitar as outras opiniões.

É necessário esperar e ouvir atentamente os outros porque eles também têm o seu ponto de vista.

Respeitar a opinião dos outros é olhar para a mesma verdade e saber que esta poderá ser vista de forma bem diferente por cada um.

E assim, com toda certeza, deixar de cometer injustiça com as precipitações.

O charme do desenho e sua lição enigmática consiste no fato de que, "na história nada muda e mesmo assim, tudo é completamente diferente".

"O que move uma pessoa não são os músculos, e sim a força do pensamento". (Aldous Huxley)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Aula de mestre - A bananada da vovó.

Prof. Weber Figueiredo (weber@globo.com)
O professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Weber Figueiredo, deu uma última aula para seus ex-alunos, em 13 de agosto de 2002.

Diante de uma platéia de formandos, acompanhados de seus pais, o professor paraninfo da turma, discursou sobre o Brasil.

Leia o que disse o Prof. Weber Figueiredo.

“Ilustríssimos Colegas da Mesa, Senhor Presidente, meus queridos alunos, Senhoras e Senhores.
Para mim é um privilégio ter sido escolhido paraninfo desta turma. Esta é como se fora a última aula do curso. O último encontro, que já deixa saudades. Um momento festivo, mas também de reflexão.Se eu fosse escolhido paraninfo de uma turma de direito, talvez eu falasse a importância do advogado que defende a justiça e não apenas o réu. Se eu fosse escolhido paraninfo de uma turma de medicina, talvez eu falasse da importância do médico que coloca o amor ao próximo acima dos seus lucros profissionais. Mas, como sou paraninfo de uma turma de engenheiros, vou falar da importância do engenheiro para o desenvolvimento do Brasil.
Para começar, vamos falar de bananas e do doce de banana, que eu vou chamar de bananada especial, inventada (ou projetada) pela nossa vovozinha lá em casa, depois que várias receitas prontas não deram certo. É isso mesmo.
Para entendermos a importância do engenheiro vamos falar de bananas, bananadas e vovó.A banana é um recurso natural, que não sofreu nenhuma transformação.A bananada é = (a banana + outros ingredientes + a energia térmica fornecida pelo fogão + o trabalho da vovó...e + o conhecimento, ou tecnologia da vovó).
A bananada é um produto pronto, que eu vou chamar de riqueza.
E a vovó?
Bem, a vovó é a dona do conhecimento, uma espécie de engenheira da culinária.
Agora, vamos supor que a banana e a bananada sejam vendidas.
Um quilo de banana custa um real.
Já um quilo da bananada custa cinco reais.
Por que essa diferença de preços?
Porque quando nós colhemos um cacho de bananas na bananeira, criamos apenas um emprego: o de colhedor de bananas.
Agora, quando a vovó, ou a indústria, faz a bananada, ela cria empregos na indústria do açúcar, da cana-de-açúcar, do gás de cozinha, na indústria de fogões, de panelas, de colheres e até na de embalagens, porque tudo isto é necessário para se fabricar a bananada.
Resumindo, 1kg de bananada é mais caro do que 1kg de banana porque a bananada é igual banana, mais tecnologia agregada, e a sua fabricação criou mais empregos do que simplesmente colher o cacho de bananas da bananeira.
Agora vamos falar de outro exemplo que acontece no dia-a-dia no comércio mundial de mercadorias.
Em média: 1kg de soja custa US$ 0,10 (dez centavos de dólar), 1kg de automóvel custa US$ 10, isto é, 100 vezes mais, 1kg de aparelho eletrônico custa US$ 100, 1kg de avião custa US$1.000 (10mil quilos de soja) e 1kg de satélite custa US$ 50.000.
Vejam, quanto mais tecnologia agregada tem um produto, maior é o seu preço, mais empregos foram gerados na sua fabricação.
Os países ricos sabem disso muito bem. Eles investem na pesquisa científica e tecnológica.
Por exemplo: eles nos vendem uma placa de computador que pesa 100g por US$ 250.
Para pagarmos esta plaquinha eletrônica, o Brasil precisa exportar 20 toneladas de minério de ferro.
A fabricação de placas de computador criou milhares de bons empregos lá no estrangeiro, enquanto que a extração do minério de ferro cria pouquíssimos e péssimos empregos aqui no Brasil
O Japão é pobre em recursos naturais, mas é um país rico.
O Brasil é rico em energia e recursos naturais, mas é um país pobre.
Os países ricos, são ricos materialmente porque eles produzem riquezas.
Riqueza vem de rico. Pobreza vem de pobre.
País pobre é aquele que não consegue produzir riquezas para o seu povo.Se conseguisse, não seria pobre, seria país rico.
Gostaria de deixar bem claro três coisas:
1º) quando me refiro à palavra riqueza, não estou me referindo a jóias nem a supérfluos. Estou me referindo àqueles bens necessários para que o ser humano viva com um mínimo de dignidade e conforto;
2º) não estou defendendo o consumismo materialista como uma forma de vida, muito pelo contrário;
3º) e acho abominável aqueles que colocam os valores das riquezas materiais acima dos valores da riqueza interior do ser humano.
Existem nações que são ricas, mas que agem de forma extremamente pobre e desumana em relação a outros povos.
Creio que agora posso falar do ponto principal.
Para que o nosso Brasil torne-se um País rico, com o seu povo vivendo com dignidade, temos que produzir mais riquezas.
Para tal, precisamos de conhecimento, ou tecnologia já que temos abundância de recursos naturais e energia.
E quem desenvolve tecnologias são os cientistas e os engenheiros, como estes jovens que estão se formando hoje.
Infelizmente, o Brasil é muito dependente da tecnologia externa.
Quando fabricamos bens com alta tecnologia, fazemos apenas a parte final da produção.Por exemplo: o Brasil produz 5 milhões de televisores por ano e nenhum brasileiro projeta televisor.
O miolo da TV, do telefone celular e de todos os aparelhos eletrônicos, é todo importado. Somos meros montadores de kits eletrônicos.
Casos semelhantes também acontecem na indústria mecânica, de remédios e, incrível, até na de alimentos.
O Brasil entra com a mão-de-obra barata e os recursos naturais.
Os projetos, a tecnologia, o chamado pulo do gato, ficam no estrangeiro, com os verdadeiros donos do negócio.
Resta ao Brasil lidar com as chamadas caixas pretas.
É importante compreendermos que os donos dos projetos tecnológicos são os donos das decisões econômicas, são os donos do dinheiro, são os donos das riquezas do mundo.
Assim como as águas dos rios correm para o mar, as riquezas do mundo correm em direção aos países detentores das tecnologias avançadas.
A dependência científica e tecnológica acarretou para nós brasileiros a dependência econômica, política e cultural.
Não podemos admitir a continuação da situação esdrúxula, onde 70% do PIB brasileiro é controlado por não residentes.
Ninguém pode progredir entregando o seu talão de cheques e a chave de sua casa para o vizinho fazer o que bem entender.
Eu tenho a convicção que desenvolvimento científico e tecnológico aqui no Brasil garantirá aos brasileiros a soberania das decisões econômicas, políticas e culturais. Garantirá trocas mais justas no comércio exterior. Garantirá a criação de mais e melhores empregos.
E, se toda a produção de riquezas for bem distribuída, teremos a erradicação dos graves problemas sociais.
O curso de engenharia da UERJ, com todas as suas possíveis deficiências, visa formar engenheiros capazes de desenvolver tecnologias.
É o chamado engenheiro de concepção, ou engenheiro de projetos.
Infelizmente, o mercado desnacionalizado nem sempre aproveita todo este potencial científico dos nossos engenheiros.
Nós, professores, não podemos nos curvar às deformações do mercado. Temos que continuar formando engenheiros com conhecimentos iguais aos melhores do mundo.
Eu posso garantir a todos os presentes, principalmente aos pais, que qualquer um destes formandos é tão ou mais inteligente do que qualquer engenheiro americano, japonês ou alemão.
Os meus trinta anos de magistério, lecionando desde o antigo ginásio até a universidade, me dá autoridade para afirmar que o brasileiro não é inferior a ninguém, pelo contrário, dizem até que somos muito mais criativos do que os habitantes do chamado primeiro mundo.
O que me revolta, como professor cidadão, é ver que as decisões políticas tomadas por pessoas despreparadas ou corruptas, são responsáveis pela queima e destruição de inteligências brasileiras que poderiam, com o conhecimento apropriado, transformar o nosso Brasil num país florescente, próspero e socialmente justo.
Acredito que o mundo ideal seja aquele totalmente globalizado, mas uma globalização que inclua a democratização das decisões e a distribuição justa do trabalho e das riquezas.
Infelizmente, isto ainda está longe de acontecer, até por limitações físicas da própria natureza.Assim, quem pensa que a solução para os nossos problemas virá lá de fora, está muito enganado.O dia que um presidente da República, em vez de ficar passeando como um dândi pelos palácios do primeiro mundo, resolver liderar um autêntico projeto de desenvolvimento nacional, certamente o Brasil vai precisar, em todas as áreas, de pessoas bem preparadas.
Só assim seremos capazes de caminhar com autonomia e tomar decisões que beneficiem verdadeiramente a sociedade brasileira.
Será a construção de um Brasil realmente moderno, mais justo, inserido de forma soberana na economia mundial e não como um reles fornecedor de recursos naturais e mão-de-obra aviltada.
Quando isto ocorrer, e eu espero que seja em breve, o nosso País poderá aproveitar de forma muito mais eficaz a inteligência e o preparo intelectual dos brasileiros e, em particular, de todos vocês, meus queridos alunos, porque vocês já foram testados e aprovados.
Finalmente, gostaria de parabenizar a todos os pais pela contribuição positiva que deram à nossa sociedade possibilitando a formação dos seus filhos no curso de engenharia da UERJ.
A alegria dos senhores, também é a nossa alegria.
Muito Obrigado."




terça-feira, 16 de junho de 2009

A NOVA MULHER. QUEM VAI ENCARAR?

LYGIA ROCHA mail to:lygiarocha@terra.com.br
Publicado no jornal Diário Comercial 16/06/2009)


"As mulheres estão com força total! A maioria das mais jovens – com idade entre 25 e 35 anos - é solteira, bem sucedida profissionalmente e não está preocupada em achar a sua metade uma vez que acredita que tem uma vida muito prazerosa. Segundo a pedagoga Sheila Rigler, diretora da Consultoria em Relações Humanas e Agência de Casamentos Par Ideal, de Curitiba, elas ganham o próprio sustento, saem bastante e têm carro próprio. De modo geral, atualmente, as mulheres solteiras moram sozinhas - uma boa parte delas em apartamento próprio - e viajam bem mais que as casadas assim como vão mais ao teatro e ao cinema.

As características mais marcantes dessas novas mulheres são as de querer viver com conforto e aproveitar bem as suas horas de lazer. Como gostam da sua independência, a maioria só começa a pensar em casamento a partir dos 30 anos quando dá início a sua busca por um companheiro que esteja a sua altura. Contudo, o encontro do par idealizado é dificultado pelo alto padrão de exigência na escolha do parceiro uma vez que querem alguém do mesmo nível intelectual, social e financeiro. Ao mesmo tempo, não têm dificuldade de achar um par quando saem à noite para se divertir já que são animadas. Só que essa companhia noturna está longe do ideal delas.

De acordo com o Instituto Ipsos Marplan, as solteiras ocupam postos mais altos de trabalho (47% contra 34%), vão mais à praia (46% contra 42%), a shows (31% contra 22%) e lêem mais (39% contra 35%) em comparação com as casadas. Esses resultados mostram que os “sonhos” das meninas dos dias de hoje mudaram. Ao invés de saírem à procura do “príncipe encantado”, estão preferindo buscar a “realidade” do sucesso na carreira que escolheram. Não é a toa que as “novas” mulheres, de modo geral, têm mais preparo do que os homens, já que investem tempo e dinheiro em cursos que consideram importantes para alcançar posições de comando nas empresas.

Segundo Sheila Rigler, hoje em dia as mulheres solteiras não são mais marginalizadas pela sociedade e nem têm a obrigação de casar. Como são bem sucedidas, não estão dispostas a abrir mão desse estilo de vida que conquistaram sozinhas. De acordo com o IBGE, enquanto em 1987 apenas 80 mil mulheres se casavam entre 30 e 39 anos, em 2007 esse número pulou para 181 mil. Desconsiderando o aumento populacional das últimas duas décadas, isso representa um aumento de 50%. Esses dados indicam que uma geração de mulheres solteiras está casando mais tarde porque está priorizando o aprendizado de lidar com a própria independência.

A psicóloga Bárbara Snizek, da Agência de Casamentos Par Ideal, alerta para o estereótipo ainda vigente de dizer que as mulheres que têm carreiras bem sucedidas têm problemas na vida afetiva. Para ela, os fracassos na vida amorosa podem estar relacionados não a uma inaptidão afetiva, mas a um grau de exigência mais apurado e a uma recusa em viver relações não satisfatórias. Elas estão cientes que essa sua independência assusta os homens, entretanto preferem ficar com o sucesso profissional que fizeram tanto esforço para conquistar, mas que lhes permite viver muito bem sem precisar de nenhum suporte financeiro de um marido.

A fim de traçar um perfil das executivas brasileiras, a empresa Caliper Brasil realizou uma pesquisa em parceria com a revista HSM com 66 mulheres que ocupam cargos na alta hierarquia das organizações. Os resultados derrubam mitos como os de que para ascender na carreira tenham que abrir mão da família e adotar um comportamento “masculinizado”, já que 65% das entrevistadas são casadas. O estudo aponta como pontos fortes das mulheres seu estilo de comunicação assertivo de expor idéias e estratégias, a delegação de responsabilidades, sua liderança envolvente para buscar comprometimento da equipe, sua rapidez e foco nos resultados.

Embora sejam práticas na resolução dos problemas, as mulheres são flexíveis para perceber as necessidades da equipe e demonstram empatia para escutar opiniões diferentes das suas e rever conceitos na busca de soluções, o que enriquece o processo decisório. Elas buscam o bem-estar das pessoas, reconhecem as qualidades alheias, são intuitivas, hábeis com múltiplas tarefas, têm uma visão tanto pontual como abrangente, gostam de persuadir e convencer sua equipe e são abertas à absorção de novos conhecimentos. Para alcançar o sucesso, essas executivas tiveram que transgredir os valores vigentes, questionar superiores e ousar.

Os maiores desafios para as mulheres ascenderem a posições de comando nas empresas são vencer o preconceito de gênero e provar a sua competência. Elas são motivadas por desafios, resultados e pela evolução das pessoas e definem sucesso como o equilíbrio da vida pessoal e profissional, fazer o que gostam em um lugar que gostam e a construção de algo importante para a melhoria de vida das pessoas. Essas características femininas fizeram com que diversos estudos nos Estados Unidos tenham constatado que as organizações com maior representação de mulheres na direção consigam um desempenho significativamente melhor que as concorrentes.

Ainda bem que muitas mulheres não encontraram seus “príncipes encantados” e investiram no sucesso da vida profissional desistindo de ficar aturando “sapos” só para ter alguém que as sustentasse. Cássia Eller já colocava esse questionamento quando cantava os versos da música “Malandragem” de Cazuza e Frejat que diziam “quem sabe o príncipe virou um chato, que vive dando no meu saco”! As mulheres de hoje sabem o que querem e as organizações – e os homens também! - só têm a ganhar com um melhor aproveitamento das suas habilidades. Assim sendo, quem vai encarar?"

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O eterno recomeço.

Maria Ribeiro.

"Um cantinho para quem, como eu, acredita que não existe fim, só o eterno recomeço que acontece todos os dias, todos os instantes, com cada escolha que fazemos, com cada atirude que tomamos, com cada sonho que tentamos transformar em realidade.VAMOS ENCARAR?Um dia, você se dá conta que está presa. Que não tem saída, que a solução dos problemas não dependem de você e é quando cai na ilusão de atribuir a causa do problema a fatores externos. Falta dinheiro, falta tempo, não tem condições, as pessoas não colaboram, não sabe o que vai acontecer para poder decidir o que fazer. Não é? Já pensou que é você mesma quem está se aprisionando? Não acredita? Então tente descobrir quais são as suas amarras. A que, ou a quem você está reagindo e o que você realmente teme. Embora a gente chegue a ter certeza, não são os fatores externos que mais nos assustam, são nossos medos guardados lá no porão do inconsciente. Eles surgem como resultante de nossa vaidade, nosso orgulho, nosso apego e nossos preconceitos, raramente ou nunca admitidos. Juntos, eles formam o grande monstro, o fantasma assustador que por vezes nem nos deixa dormir. Sua presença cria uma mistura de ansiedade e angústia, como se a qualquer momento algo pudesse acontecer. Traduzindo, como se ele, o nosso fantasma escondido, pudesse aparecer e nos obrigar a olha-lo de frente. Seja qual for o nome que você der, isso assusta mesmo! A partir de um certo ponto em sua evolução, não dá mais para continuar convivendo com ele, é preciso fazer alguma coisa que afasta a sensação desagradável provocada pela sua presença. Mas para começar a exorciza-lo é preciso ter a coragem de ir ao seu encontro porque ele nunca se mostra e de encara-lo, tal qual é. Se não souber onde se esconde quando não a está possuindo e atrapalhando sua vida, comece perguntando o que mais incomoda você? É esse o primeiro passo no caminho dessa busca. Depois pergunte qual o seu maior medo e passo a passo vá se conhecendo, Se ainda assim ele não aparecer, indague em que circunstâncias você diz: ISTO EU NÃO ACEITO MESMO! E por que? Não adianta vir com as respostas convencionais, aquelas pré-fabricadas que você usa automaticamente para justificar suas reações, porque é disso que ele se alimenta. Agindo assim você só o fará ficar ainda mais forte e difícil de enfrentar, mais vale procurar no seu interior as verdadeiras causas Então aproveite e dê uma boa olhada nos PRÉ-CONCEITOS aqueles padrões geralmente herdados, ou implantados em você de tanto ver ou ouvir. Mesmo que você não goste de admitir, sempre existem aquelas reações, crenças ou atitudes adotadas simplesmente para seguir o rebanho sem pensar se a direção em que ele vai é a que você pretende dar à sua vida. Talvez não seja fácil, talvez ele, o seu monstrinho particular não se deixe ver na primeira tentativa. Afinal, você sempre o abrigou, sempre o protegeu tão bem e por tanto tempo, que fica difícil agora tira-lo de onde se escondeu e traze-lo à luz da verdade. Garanto que ninguém sabe da existência dele, vai ver que nem você sabia. Mas continue tentando, procurando, perguntando até conseguir e quando encontra-lo não tenha medo de olha-lo nos olhos, de ver como é feio, ultrapassado, injusto e totalmente fora de propósito. Não há mais lugar para ele em você agora. Se for o monstrinho do preconceito, que é filho da vaidade e do orgulho, mas foi criado pela ignorância, você vai ver arcaicos padrões de avaliação dos que julgam uma pessoa como sendo melhor ou pior que você, dependendo do nível cultural, do quanto ganha, ou de quanto ganha quem a sustenta, do bairro onde mora, do tipo de imóvel, das pessoas que conhece, enfim, de uma série de coisas que em nada têm a ver com a essência de um ser humano. É dele que nasce a impressão de que você é melhor ou pior do que alguém, assim como é dele que vem o medo de não ter o que os outros têm, não poder fazer o que os outros fazem, não conseguir manter o mesmo padrão, ou o medo do que as pessoas vão pensar. Conscientemente você pode até não valorizar tanto esses conceitos, mas ele, o monstrinho do preconceito valoriza e você acaba fazendo o que ele quer. Quem tem este monstrinho escondido em seu interior jamais admite, nunca fala a respeito, nega se for acusada, mas SEMPRE age de acordo com os conceitos dele, sabendo ou não, querendo ou não, porque está literalmente possuída e escravizada por essa “coisa ruim”. Se for o monstrinho da acomodação ou da dependência, terá a oportunidade de ver refletidas nele todas as oportunidades que deixou passar, as desculpas que inventou para não tomar a iniciativa e não agir no momento preciso. Verá que o que parecia verdade absoluta eram disfarces do medo. Medo de deixar de ser protegida e dependente, medo de mudanças, medo de sair do ninho, abrir as asas e voar. Já o monstrinho do apego, faz guardar até o desnecessário, tentar manter relações que já acabaram há muito tempo e agora só geram desarmonia, não permite que se abra mão de nada, nem mesmo do que não se quer mais, do que é inútil, do que atrapalha ou não nos deixa crescer livremente, dando a impressão de que um dia será necessário, ou de que não é possível viver sem aquela coisa ou aquela pessoa. Uma verdadeira escravidão da qual ninguém consegue abrir mão até tomar consciência, e lutar contra. Existem tantos tipos de monstros que nem dá para enumerar e quanto maior, mais forte, mais assustador e aparentemente invencível for o seu, mais rápida e eficiente deverá ser a sua ação de despejo. Quem precisa de fantasmas como esses morando na própria alma? Possuindo-a, como se fosse o dono e provocando em você e na sua vida tantas reações colaterais? Você precisa? Creio que não. Pensando bem, até já passou da hora de criar coragem, dar uma boa olhada no seu interior, ter uma franca conversa com você mesma e começar a agir, despejando todos esses invasores, para o seu próprio bem. E veja se dessa vez, é você mesma quem está no comando da operação, não algum outro monstrinho do NÃO POSSO, NÃO CONSIGO, ou NÃO SEI, disfarçado de boas intenções, de obstáculos irremovíveis e daquela espécie de fraqueza e impotência, que não fazem mais parte de você, há muito tempo. Esta impressão é só mais um dos truque que eles usam freqüentemente e não é real. Expulse isto também e comece o quanto antes a ocupar o seu verdadeiro lugar no seu mundo interior. Todo o resto virá naturalmente como conseqüência do seu equilíbrio. Boa Sorte! "

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Felicidade vs Sofrimento


A base do budismo é o fato de que todo ser humano sofre. E por que sofremos? Porque somos ignorantes. O que precisamos ter é a compreensão de que as coisas na nossa vida são dinâmicas e fluidas.

Quando o ser humano está feliz bloqueia a felicidade, pois deseja a eternidade para esse momento. Torna-se rígido, com medo de que o prazer acabe. Quando está infeliz, julga que o sofrimento não terá fim, mergulha na sombra, e assim amplia sua dor.




Como as ondas do mar, a vida é dinâmica. É tão certa a subida quanto a descida. Cada momento tem sua beleza. No prazer nós nos expandimos e na dor nos contraímos. Um movimento é complementar ao outro. Saber apreciar a alegria e a dor constitui a base da felicidade. Você não pode ser feliz somente quando tem prazer, pois perderá o maior aprendizado da existência.

Você deve descobrir um jeito de ser feliz na experiência dolo-rida porque ela carrega a oportunidade de desenvolvimento. Não desfrute somente o sol, aprecie também a lua. Não desfrute somente a calmaria, aproveite a tempestade. Tudo isso enriquece a existência. A vida não acontece somente dentro de uma casa, de uma cidade, de um país: ela tem de ser experimentada dentro do universo.

A felicidade é um jeito de viver, é uma conduta, é uma maneira de estar agradecido ao sol, à lua, a quem lhe estende a mão e também a quem o abandona, pois certamente nesse abandono está a possibilidade de você descobrir a força que existe em seu interior.

A felicidade não é o que as pessoas têm, mas o que elas fazem com isso. Por esse motivo há pessoas que, apesar de ter bens materiais, de ser bem relacionadas, com filhos saudáveis, ainda assim se sentem angustiadas e deprimidas.

A felicidade não é o que acontece na vida, mas como nós elaboramos esses acontecimentos.
A diferença entre o sábio e o ignorante é que o primeiro sabe aproveitar suas dificuldades para evoluir, enquanto o segundo se sente vítima de seus problemas.

A felicidade é uma experiência ligada à Sabedoria.

Qualquer estúpido pode ser infeliz. Não é necessário alguém especial para ver problemas em qualquer coisa, a qualquer hora. Aliás, há pessoas que não desperdiçam uma oportunidade de sofrer. Mas saber transformar pequenos acontecimentos em fonte de alegria é habilidade de poucos....

Assim se reconhece um iluminado.... Assim nasce um Buddha!!!!!

Texto composto com citações de Monja Cohen


segunda-feira, 4 de maio de 2009

A "Máscara" Social

LYGIA ROCHA mail to:lygiarocha@terra.com.br
(Publicado no jornal Diário Comercial 20/04/2009)

Há poucos dias, o jogador de futebol Adriano declarou em entrevista à imprensa que vai dar um tempo na sua carreira porque “é mais feliz na favela do que na Itália”. Muitas pessoas questionaram como é que uma pessoa famosa, que ganha milhões de dólares por ano e é tratado como ídolo pela torcida local pode fazer semelhante afirmação. Vamos fazer um exercício e analisar alguns fatores que nem sempre percebemos, mas que podem levar a um comportamento como esse.

Depois que ficam famosas, durante algum tempo as pessoas podem se iludir com os “holofotes da mídia”, entretanto passados os primeiros momentos de glória, começam a se cansar. Em geral, todos gostam de se sentir amados, mas pelo que de fato são e não pela figura pública que se tornaram. Isso acontece porque a partir do instante que se transformam em celebridades, perdem a liberdade já que têm que estar sempre se policiando para não cometer nenhuma “gafe”. De certa forma, os ídolos são obrigados a usar uma “máscara” social e adotar comportamentos considerados politicamente corretos, na medida em que passam a servir de exemplo para os seus fãs.

No caso dos jogadores de futebol, então, em que grande parte da torcida é composta por crianças, não devem mais ser fotografados ingerindo bebidas alcoólicas, fumando ou agindo de um jeito que ofenda a “moral e os bons costumes vigentes”. Em hipótese alguma podem fazer arruaças ou arrumar brigas em locais públicos. Não podem nem pensar em tomar uma bebedeira para comemorar uma vitória do seu time ou um acontecimento feliz, ou mesmo ao contrário, para afogar as mágoas por uma derrota, morte de um parente ou por um fora que levaram da namorada.

Em momento algum os ídolos podem se dar ao luxo de andar desarrumados na rua ou agir de maneira “inconveniente” com o público, sob pena da mídia falar que estão “drogados” ou “entrando em decadência”. O excesso de exposição faz com que a maioria deles fique refém da própria fama. Quando estão sendo entrevistados ou quando são abordados por fãs na rua provavelmente se sentem como os animais selvagens que vivem enjaulados no Jardim Zoológico e têm que fazer “gracinhas” para os visitantes. Enfim, não têm mais direito à privacidade. Não podem nem mesmo sair com a família ou fazer um programa doméstico sem serem incomodados.

A maioria dos jogadores de futebol é proveniente das classes baixa e média baixa e morou em subúrbios ou até mesmo em favelas e foi acostumada a ter um relacionamento muito estreito com os seus vizinhos. Nesses lugares, as pessoas são conhecidas na comunidade não só pelo apelido que ganharam dos amigos como pelos seus parentes. Quando são crianças passam a maior parte do tempo brincando soltos pelas ruas com os amigos. Eles têm essa liberdade porque todos os conhecem e precisam de pouco para serem felizes. Não têm que representar nenhum papel social para serem aceitos pelo grupo uma vez que estão no seu habitat.

Essa liberdade que perdem com a fama, passa a incomodar depois de algum tempo porque, de modo geral, as verdadeiras amizades são “enxotadas” pelo novo grupo de relações. Sim, porque eles vivem cercados pelas conhecidas “marias chuteiras” e por pessoas que só querem usufruir do seu dinheiro e da sua glória para freqüentar os ambientes mais badalados. Muitos jogadores só percebem a falsidade “desses amigos” a partir do momento em que desaparecem quando eles estão em franca decadência ou até mesmo arruinados, já que gastaram muito dinheiro patrocinando festas e diversões para esse bando de “desocupados”.

A maioria das pessoas não entende desabafos como esse de Adriano porque não percebe a importância do papel representado por uma família estruturada e um círculo de amizades verdadeiras na vida de alguém. Muitos ídolos são “criados e sugados” pela mídia e não têm estrutura psicológica para agüentar o “tranco”. Eles se deixam enganar pelas aparências e quando dão por si foram abandonados por todos que os adulavam devido a sua fama e dinheiro e, na maioria das vezes não conseguem mais se recuperar. A jornalista Cora Ronai na sua coluna do jornal O Globo foi muito feliz quando observou que “Nós não vivemos só na nossa casa. Vivemos no nosso país, na nossa língua, nos nossos costumes”.

A máscara social utilizada por muita gente famosa, grande parte das vezes encobre sua personalidade na medida em que fazem uso dela para serem aceitas pelos grupos sociais a que ascenderam. Muitos chegam até a contratar uma equipe de assessores para ensiná-los a se vestir, a comprar e decorar a casa assim como para apresentá-los a pessoas importantes. Nas recepções da alta sociedade, por exemplo, muitos convidados que têm grande apetite comem antes em casa porque sabem que serão “julgados” pela quantidade de comida que ingerirem e não querem parecer famintos.

Essa “máscara” também é muito utilizada pelos participantes de “reality shows” como o programa BBB para conquistar a simpatia do público. Apesar de negarem, os jogadores procuram fazer um papel de “bom moço”, “amigo”, “ingênuo” e/ou “prestativo” para ganhar o jogo e acusam os demais de estarem “jogando” como sinônimo de “enganando”. Quando a sua estratégia não é bem sucedida e são eliminados do jogo, chegam até a chamar de “sem caráter” os participantes que se deram melhor.

Enfim, a maior necessidade do ser humano é a aceitação social. As pessoas só consideram ter sucesso quando o seu grupo social reconhece. Afinal, como perguntou com muita acuidade Cora Ronai, “Quem disse que uma pelada entre amigos e um churrasco na laje valem menos do que uma Ferrari?”

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Consumo; poder; status; prazer; subir na vida e rápido,…

Autor: Sergio L M Rocha

Na busca destes desejos, as pessoas, particularmente os jovens, não medem esforços para obtê-los.
Vale tudo!
Possuir um “curriculum” extenso e diversificado, várias faculdades, vários títulos em pós, MBA’s e até mestrados, de preferência no exterior. Falar vários idiomas, se possível, até o mandarim. Jogar na bolsa, loterias, cassinos, aceitar a corrupção como algo natural, traições, infidelidades, frieza, pisar no pescoço da própria mãe, irmão ou quem quer que se coloque no caminho, “passar por cima” como se diz.
Os exemplos e ensinamentos de muitos pais, nas escolas, nas universidades e nas empresas, lamentavelmente, oferecem e estimulam esta tendência no modo de pensar e agir dos jovens.
No mundo moderno, a competição e o seu símbolo sagrado “The number one”, passou a ser o modelo de comportamento das pessoas, particularmente dos jovens.
Pais cobrando, dos filhos, resultados nunca inferiores ao lugar mais alto dos pódios, quer nas escolas, nos cursos de idiomas, nos esportes praticados, nos concursos ou em qualquer situação onde o jovem tenha ou seja meta a competir. Gerentes, chefes, treinadores, instrutores, professores, exigindo cada vez mais resultados idênticos de todos os integrantes da turma, equipe, time ou que nome tenha.
Jovens estressados, atenuados, cansados, irritados, agressivos, alucinados, “workaholics”, “studentholics”, rebeldes, explosivos, desligados, que acabam por não viver a fase da adolescência ou a do jovem adulto. Ainda inexperientes, mas se achando em condições de se tornar o “dono do mundo” em pouco anos, quem sabe antes dos trinta, na verdade se sentindo “velho” aos 25 anos.
Muitos buscando, nas drogas, um momento de desligamento, porém aumentando de forma exponencial a sua própria destruição.
Com raríssimas exceções, baseiam suas vidas no tripé, família, lazer e trabalho, de forma equilibrada e ajustada à fase vivida no momento.
Querem ter tudo e ser tudo, muito rapidamente. Não aceitam esperar, aliás não admitem esperar.
Poupar?
O que significa isto, para um jovem hoje em dia?
Aplicam os seus salários, suas mesadas, seus prêmios, o dinheiro obtido seja de forma, lícita ou ilícita, na obtenção do que desejam ou naquilo que a mídia estimula ou aponta como diferencial na sociedade.
Querem consumir, necessitam consumir, precisam se destacar, seja que de forma for, e é claro que o caminho do menor esforço, é o preferido.
São jovens se prostituindo, traficando, se corrompendo, esmolando e até roubando, seja o dinheiro alheio, seja a própria juventude, seja a própria saúde, …
mundo onde faltam empregos e se exige cada vez mais para obtê-los, onde faltam oportunidades para todos, mesmo para muitos daqueles que, como disse no início deste texto, possuem um “curriculum” invejável, digno e vasto, as fórmulas mágicas para a obtenção de riquezas, à curtíssimo prazo, representam verdadeiras armadilhas para àqueles que sucumbem à ganância e à ambição.
No mundo moderno, a saída para o ganho fácil e rápido, lamentavelmente, sempre servirá de estímulo para a maioria das pessoas.
Não é raro, hoje em dia, um jovem preferir continuar no ócio a aceitar um emprego que não lhe ofereça a possibilidade de ganhos que lhe permitam realizar os seus desejos, referem ficar sob as asas dos pais, da família.
Aliás, isto é algo que se alastra pela sociedade numa velocidade muito alta. O emprego está deixando de ser um objeto de desejo para muitos e os pedintes estão aí para demonstrar o que falo. Você oferece dinheiro ele agradece e fica feliz, você oferece alimento ou trabalho ele te xinga ou agride.
O consumismo domina a sociedade moderna e continuará dando as cartas, até que uma nova ordem econômica se estabeleça no mundo, talvez quem sabe, face aos níveis alarmantes da destruição do nosso planeta, provocada pelo capitalismo selvagem desvairado, que nos domina e assola.
O dinheiro sempre moveu o mundo e não faço a menor idéia quando deixará de fazê-lo, portanto é utópico imaginarmos um mundo sem ele ou sem o poder que possui.
Creio que a saída esteja na educação das pessoas para o consumo e a obtenção de poder, daí a sugerir alguns conselhos que recebi de meu pai e que muito me valeram e valem até hoje:

1- Temos que consumir aquilo que podemos e não aquilo que desejamos;
2- Temos que aprender a representar o valor financeiro daquilo que desejamos consumir, como um percentual do nosso salário ou renda e o que irá representar em nosso orçamento;
3- Precisamos aprender a poupar para ter, a esperar, a conter o nosso imediatismo;
4- Temos que agir como banqueiros ou agiotas para nós mesmos;
5- Temos que nos conscientizar do que somos no momento e a nos aprimorar para progredir. Em outras palavras, um filhote de uma águia não pode voar ou caçar, como os adultos o fazem, enquanto não tiverem a estrutura e a experiência necessárias para tal;
6- Temos que aceitar as diferenças entre as pessoas: as minhas qualidades podem ser os defeitos do outro e vice-versa. Não existem duas pessoas exatamente iguais;
7- Devemos dominar nossas ambições e jamais nos deixarmos dominar por elas. Ter ambições é uma coisa, ser ambicioso é outra;
8- A harmonia familiar e a saúde do nosso corpo são vitais para o nosso sucesso na vida;
9- O lazer, assim como o sono, é indispensável à recuperação e ao combate ao estresse vivido no dia-a-dia;
10- O ganho fácil deve sempre ser visto com desconfiança. Melhor acreditar nas nossas intuições do que nas dos outros.
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(*) Sergio L M Rocha - administrador de empresas e consultor.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Fábula dos porcos assados.

Extraída do livro “Chutando o pau da barraca” de Marcos Paulo Góes

“Certa vez, aconteceu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram e acharam deliciosa a carne assada. A partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque... até que descobriram um novo método.

Mas o que quero contar é o que aconteceu quando tentaram mudar o SISTEMA para implantar um novo. Fazia tempo que as coisas não iam lá muito bem: às vezes, os amimais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. O processo preocupava a todos, porque, se o SISTEMA falhava, as perdas ocasionadas eram muito grandes – milhões eram os que se alimentavam de carne assada e também milhões os que se preocupavam com a tarefa de assá-los. Portanto, o SISTEMA simplesmente não podia falhar, Mas, curiosamente, quanto mais crescia a escala do processo, tanto mais parecia falhar e tanto maiores eram as perdas causadas.

Em razão das inúmeras deficiências, aumentavam as queixas, Já era um clamor geral a necessidade de reformas. Congressos, seminários, conferências passaram a ser realizadas anualmente para buscar uma solução. Mas parece que não acertavam o melhoramento do mecanismo. Assim, no ano seguinte, repetiam-se os congressos, seminários, conferências.

As causas do fracasso do SISTEMA, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou ainda às árvores, excessivamente verdes, ou à umidade da terra, ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas...

As causas eram, como se vê, difíceis de determinar – na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo, Fora montada uma grande estrutura: maquinário diversificado; indivíduos dedicados exclusivamente a acender o fogo – incendiadores que era também especializados ( incendiadores da zona norte, da zona oeste, etc., incendiadores noturnos e diurnos com especialização em matutino e vespertino, incendiadores de verão, de inverno, etc.). Havia especialistas também em ventos – os anemotécnicos. Havia um Diretor Geral de Assamento e Alimentação Assada, um Diretor de Técnicas Ígneas (com seu Conselho Geral de Assessores), um Administrador Geral de Reflorestamento, uma Comissão Nacional de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias (ISCUTA) e o Bureau Orientador de Reforma Igneooperativa.

Havia sido projetada e encontrava-se em plena atividade a formação de bosques e selvas, de acordo com a s mais recentes técnicas de implantação – utilizando-se regiões de baixa umidade e onde os ventos não soprariam mais do que três horas seguidas.

Eram milhões de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais potente, etc. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento oportuno.

Foram formados professores especializados na construção dessas instalações. Pesquisadores trabalhavam para as universidades que preparavam os professores especializados na construção das instalações para porcos; fundações apoiavam os pesquisadores que trabalhavam para as universidades que preparavam os professores especializados na construções de instalações de porcos, etc.

As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo depois de atingido depois de atingida determinada velocidade do vento, soltar os porcos 15 minutos antes que o incêndio médio da floresta atingisse 47 graus, posicionar ventiladores gigantes em direção oposta à do vento, de forma a direcionar o fogo, etc. Não é preciso dizer que poucos especialistas estavam de acordo entre si, e que cada um embasava suas idéias em dados e pesquisas específicos.

Um dia, um incendiador categoria AB/SODM-VCH (ou seja, um acendedor de bosques especializado em sudoeste diurno matutino, com bacharelado em verão chuvosos), chamado João Bom Senso, resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido: bastava, primeiramente, matar os porcos escolhidos, limpando e cortando adequadamente os animais, colocando-os então sobre uma armação metálica sobre brasas até que o efeito calor, e não as chamas, assasse a carne.

Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o Diretor Geral de Assamento mandou chamá-lo ao seu gabinete, e depois de ouvi-lo pacientemente, disse-lhe:

- Tudo o que o senhor disse está muito bem, mas não funciona na prática. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar sua teoria? Onde seria empregado todo o conhecimento doas acendedores de diversas especialidades?
- Não sei - disse João.
- E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os desenhistas de instalações para porcos, com suas máquinas purificadoras automáticas de ar?
- Não sei – disse João.
- E os bacharéis em construção das fundações para contenção de porcos que levaram anos especializando-se no exterior, cuja formação custou tanto dinheiro ao país? Vou mandá-los limpar porquinhos? E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua solução resolver tudo? Hein?
- Não sei – repetiu João, encabulado.
- O senhor percebe agora que a sua idéia não vem ao encontro daquilo de que necessitamos? O senhor não vê, que, se tudo fosse tão simples, nossos especilaistas já teriam encontrado a solução há muito mais tempo atrás? O senhor, com certeza, compreende que eu não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas! O que éque o senhor espera que eu faça com os quilômetros de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos nem têm folhas para dar sombra? Vamos, diga-me!
- Não sei , não senhor.
- Diga-me, nossos engenheiros de Porcopirotecnia, o senhor não considera que sejam personalidades científicas do mais extraordinário valor?
- Sim, parece que sim.
- Pois então. O simples fato de possuirmos valiosos engenheiros em Porcopirotecnia indica que o nosso SISTEMA é muito bom. O que eu faria com indivíduos tão importantes para o país?
- Não sei.
- Viu? O senhor tem que trazer soluções para certos problemas específicos – por exemplo, como melhorar as anemotécnicas atualmente utilizadas, como obter mais rapidamente acendedores de Oeste (nossa maior carência), como construir instalações para porcos com mais de sete andares. Temos que melhorar o SISTEMA, e não reformá-lo radicalmente, o senhor entende? Ao senhor, falta-lhe sensatez!
- Realmente, eu estou perplexo! Respondeu João.
- Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia por aí dizendo que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério e complexo do que o senhor imagina. Agora, entre nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua idéia – isso poderia trazer problemas para o senhor no seu cargo. Não por mim, o senhor entende. Eu falo isso para o seu próprio bem, porque eu o compreendo, entendo perfeitamente o seu posicionamento, mas o senhor sabe que pode encontrar outro superior menos compreensivo, não é mesmo?

João Bom Senso, coitado, não falou mais um “A”. Sem despedir-se, meio atordoado, meio assustado, com sua sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu de fininho e ninguém nunca mais o viu. Por isso é que até hoje se diz, quando há reunião de reformas e melhoramentos que falta o Bom Senso”.

sábado, 14 de junho de 2008

A ética da mentira

João Luiz Mauad (Administrador de empresas)

“Corrupção na administração pública há em toda parte. O que difere é a intensidade que varia em função do nível de intervenção do Estado na vida social e, principalmente, da reação dos povos diante do problema. Enquanto nações que dispõem de controles institucionais rígidos, leis transparentes e, acima de tudo, têm a verdade como um valor supremo tendem a cobrar de seus representantes atitudes enérgicas contra a bandalheira e não se deixam engabelar com facilidades, outras demonstram excessiva leniência diante da questão.O nível de tolerância das sociedades em relação ao problema da corrupção pode ser medido não apenas pelos índices de impunidade, que em países como o nosso chegam perto da totalidade, mas também pelas reações dos criminosos quando “fisgados” pela lei. Recentemente, dois cidadãos japoneses cometeram suicídio porque julgaram que não poderiam conviver com tamanha desonra. Há alguns anos, um funcionário público norte-americano deu um tiro na própria boca, em frente às câmeras de TV, porque, flagrado num caso de corrupção, simplesmente “não suportava mais olhar nos olhos dos filhos”.Já no Brasil, a coisa tem funcionado de forma diferente. Políticos e agentes públicos, por mais fortes que sejam as acusações e evidências contra eles, sequer se dignam a se afastar dos cargos durante as investigações e processos, enquanto seus superiores, correligionários e até mesmo opositores agem como se nada houvesse. Honra, probidade, dignidade e vergonha na cara são valores há muito aposentados pelo advento do relativismo moral.Ninguém assume coisa alguma. Ninguém jamais confessa nada. Sempre há um bom pretexto, uma estória mirabolante a justificar qualquer coisa, por mais estranha e inverossímil que possa parecer. Inventam-se álibis, desculpas esfarrapadas e enredos os mais diversos para escapar. E o pior de tudo é que, na maioria das vezes, cola. A maior prova disso é que nenhum político foi condenado pelo STF nos últimos 40 anos, segundo reportagem recente publicada no jornal O GLOBO.Ao contrário das nações que desenvolveram sociedades avançadas, fundadas em padrões morais onde prevalece a verdade, nossas instituições (formais e informais) foram estabelecidas em função da mentira. Que o digam nossas leis.Certa vez tentei explicar a um sujeito inglês o que vem a ser uma cópia autenticada em cartório e o porquê de sua exigência ser tão disseminada no Brasil. Parecia uma conversa de surdos. Meu interlocutor não entendia que as pessoas pudessem desconfiar da autenticidade de um documento antes mesmo que este lhes fosse apresentado. Sequer lhe passava pela cabeça que a palavra do portador ou responsável não bastasse. Que dizer a ele então sobre o famigerado atestado de residência?Como a verdade deve ser sempre provada e comprovada, ela passou a ser vista como exceção, não como regra. Por outro lado, a mentira é aceita como um hábito, uma tradição incorporada pela própria lei. Diferentemente do que ocorre em muitos países, onde o crime de perjúrio é gravíssimo e, quase sempre, funciona de forma a aumentar a pena, por aqui a mentira dita em juízo não costuma traze maiores conseqüências. Pelo contrário, sua utilização é, em muitos casos, tida como perfeitamente legítima.Há algo mais patético do que aqueles inquéritos parlamentares, transmitidos ao vivo pela TV, em que os depoentes respondem as perguntas protegidos por uma liminar que lhes concede o “direito” de omitir a verdade em benefício próprio? Quem não se lembra, por exemplo, do jeito cínico, beirando escárnio, de alguns indivíduos que por ali passaram, todos devidamente autorizados a mentir?Aristóteles já dizia que as virtudes morais não são plantadas em nós pela natureza, mas são produto do hábito. O comportamento humano, por seu turno, é influenciado por estímulos e incentivos produzidos pelos ambiente natural e social. Assim, se o meio é propício à mentira , se o engodo é incentivado pela própria cadeia institucional, se não criamos as condições necessárias para que a verdade seja regra e não exceção, não adianta reclamar.”

A cultura da impunidade

Lygia Rocha - (Publicado no jornal Diário Comercial 06/07/2007

"Há duas semanas atrás a atriz Marília Pêra deu uma declaração ao jornal O Globo sobre a impunidade no Brasil que me chamou atenção. A atriz disse que “o brasileiro tem muito medo de autoridade, que no nosso país é confundida com autoritarismo”. Ela seguiu falando que “a falta de limite vem do núcleo familiar”, que os pais dão o máximo de liberdade às crianças por medo de dar limites, transformando-as em selvagens, ressaltando que na essência o que falta é educação. Analisando essas afirmações e confrontando com o comportamento das crianças e dos jovens brasileiros podemos observar que a maioria não é educada para pedir licença, dizer obrigada ou, principalmente, para respeitar o espaço dos outros. Muitas pessoas fumam em local proibido e se alguém porventura reclamar respondem que “os incomodados que se mudem”. Até um ato privativo como fazer xixi, ultimamente tem sido feito por homens de todas as classes sociais, de maneira exposta na rua, na praia, como tantas fotos têm estampado os jornais. Hoje em dia, de forma geral, não se consegue comer em um restaurante sem ser incomodada pela arruaça ou birra de crianças nem às duas horas da manhã, quando elas já deveriam estar dormindo em casa. Quando os pais saem para comer fora levam-nas porque não têm com quem deixá-las. Eles ficam conversando com os amigos e esquecem que crianças, como diz um amigo meu, têm um “tempo de validade”. Quando a paciência de esperar acaba, começam a enlouquecer os que estão a sua volta de modo a conseguir que os adultos façam as suas vontades. As instituições brasileiras vêm dando mostras de falência a cada dia. As crianças estão completamente abandonadas uma vez que nem os pais e nem a escola ensinam os princípios básicos da educação e das normas de convivência. Os pais, ocupados com seu trabalho para ganhar dinheiro e subir na vida, preferem fornecer o luxo a colocar os filhos em uma escola que exija o cumprimento das obrigações. Como decorrência, as escolas para sobreviver vão abrindo mão da qualidade do ensino e, em especial, da orientação para a vida social, na medida em que a maioria dos responsáveis recrimina o uso de autoridade. A cultura nacional modificou-se bastante nos últimos anos. Um exemplo claro da falta que faz uma instituição que eduque de fato para a vida é que na maioria das famílias abastadas da sociedade brasileira a riqueza não sobrevive à terceira geração. Exatamente porque não dão a devida importância à formação moral e ética dos filhos. As famílias atêm-se ao cumprimento dos pré-requisitos exigidos pelo mercado de trabalho para um bom currículo escolar uma vez que, para essas crianças, o emprego é obtido através da rede de relacionamento dos pais. Na semana passada ocorreu um fato que veio confirmar as declarações de Marília Pêra e demonstrar que um dos maiores problemas do Brasil nos tempos atuais são os valores sociais destorcidos vigentes no ambiente de grande parte das famílias. Cinco rapazes da classe média alta moradores de condomínios de luxo da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, assaltaram e espancaram uma doméstica em um ponto de ônibus na madrugada de domingo, quando voltavam de um programa. Ao serem denunciados por um taxista, que presenciou a agressão e anotou a placa do carro deles, e levados para a delegacia, justificaram a barbárie alegando que pensaram estar agredindo uma prostituta. Em nenhum momento explicaram a razão da agressão, mesmo porque no código cultural deles são permitidas “brincadeiras” como a que fizeram, de roubar e agredir pessoas só porque são de classe social mais baixa. Principalmente se forem prostitutas! Não houve da parte deles e de seus pais qualquer sinal de arrependimento pelo ato que cometeram. Muito pelo contrário, sentiram-se “indignados pela injustiça de estarem sendo presos junto com ladrões e assassinos”. Sequer passou por seus pensamentos que de fato fossem tão ou mais ladrões e assassinos que os seus companheiros de cadeia, uma vez que as suas atitudes são um meio de “diversão”, como no Coliseu Romano com os leões. O pai da doméstica, por outro lado, o Sr Renato Moreira Carvalho, um modesto pedreiro, deu uma declaração equilibrada na mesma linha da atriz, dizendo que “atualmente os jovens têm excesso de liberdade, excesso de objetos e falta de limites e que muitos pais sabem pouco a respeito da vida dos seus filhos fora de casa”. Já o pai de um dos agressores mais atuantes, o Sr Ludovico Ramalho Bruno, um empresário, em uma típica manifestação de preconceito e autoritarismo, declarou-se revoltado contra a punição das “crianças”. Afinal para ele, elas podem beber, dirigir, roubar e até matar na medida em que pertencem a uma classe social mais elevada e, além de tudo, “estudam e trabalham”. Infelizmente, os brasileiros já se acostumaram com a impunidade. Até porque, nenhuma figura importante denunciada ficou na prisão mais do que uns poucos dias por qualquer crime que tenha cometido, confessadamente ou com todas as evidências assim o indicando. A cultura do país ainda preserva valores de uma aristocracia decadente, que vem tentando se manter no poder desde os tempos da escravidão, e em que as pessoas valem pelo que possuem e não pelo que são. Esse tipo de comportamento pode explicar a necessidade das pessoas de acúmulo de bens e esse consumismo desenfreado que vem ocorrendo na sociedade. Aqui, ainda continua valendo a máxima do “Por acaso você sabe com quem está falando?”