sexta-feira, 16 de julho de 2010

UM ÂNGULO ESPECIAL – UM BUQUÊ DE ROSAS.

Autor: Ademar Bodemüller

Era uma manhã de um dia de semana, desses de céu aberto e muito sol. Um trabalhador dirigia-se para seu local de trabalho. Passando em frente a um templo religioso, decidiu entrar. Era uma sala muito ampla e ele sentou num dos últimos lugares, bem ao fundo. Ali se pôs a fazer a sua oração cheia de vida, dialogando com Jesus. Ouviu, então, em meio ao silêncio, a voz de alguém, cuja presença não tinha percebido: "escute, venha aqui. Venha ver a rosa." Ele olhou para os lados, para frente, e viu uma pessoa sentada num dos primeiros lugares. Levantou-se e a voz falou outra vez: "Venha ver a rosa." Embora sem entender, ele se dirigiu até a frente e percebeu que sobre a mesa havia realmente um vaso, no qual estava uma linda rosa. Parou e começou a observar o homem maltrapilho que, vendo-o hesitante, insistiu: "venha ver a rosa." Sim, estou vendo a rosa, respondeu. Por sinal, muito bonita. Mas o homem não se conformou e tornou a dizer: "Não, sente-se aqui ao meu lado e veja a rosa." Diante da insistência, o trabalhador ficou um tanto perturbado. Quem seria aquele homem maltrapilho? O que desejaria com ele com aquele convite? Seria sensato sentar-se ali, ao lado dele? Finalmente, venceu as próprias resistências, e se sentou ao lado do homem. "Veja agora a rosa", falou feliz o maltrapilho. De fato, era um espetáculo todo diferente. Exatamente daquele lugar onde se sentara, daquele ângulo, podia ver a rosa colocada sobre um vaso de cristal, num colorido de arco-íris. Dali podia-se perceber um raio de luz do sol que vinha de uma das janelas e se refletia naquele vaso de cristal, decompondo a luz e projetando um colorido especial sobre a rosa, dando-lhe efeitos visuais de um arco-íris. E o trabalhador, extasiado, exclamou: é a primeira vez que vejo uma rosa em cores de arco-íris. Mas, se eu não tivesse me sentado onde estou, se não tivesse tido a coragem de me deslocar de onde estava, de romper preconceitos, jamais teria conseguido ver a rosa, num espetáculo tão maravilhoso. É preciso saber olhar o outro de um prisma diferente do nosso. O amor assume coloridos diversos, se tivermos coragem de nos deslocar de nosso comodismo, de romper com preconceitos, para ver a pessoa do outro de modo diferente e novo. Há uma rosa escondida em toda pessoa que não estamos sendo capazes de enxergar. Há necessidade de sairmos de nós mesmos, de nos dispormos a sentar em um lugar incômodo, de deixar de lado as prevenções, para poder ver as rosas do outro, de um ângulo diferente. Realizemos esta experiência, hoje, em nossas vidas. Procuremos aceitar que podemos ver um colorido diferente onde, para nós, nada havia antes, ou talvez, de acordo com nosso modo de pensar, jamais poderiam ser vistas outras cores. Veja: quando nós rezamos, e vemos muitas pessoas rezarem o Pai Nosso de mãos dadas, gostaríamos que refletissem sobre o profundo mistério que envolvem essas mãos que se unem: A mão Jovem se une á mão idosa e entre elas, se cruza a mão eterna do Cristo. A mão fraca se une à mão forte e entre elas, se cruza a mão firme do Cristo. A mão branca se une a mão negra e entre elas, se cruza a mão santa do Cristo, que não tem raça e distinção. A mão tremula se une à mão segura e entre elas, se cruza a mão sustentáculo do Cristo. A mão calejada se une a mão sedosa e entre elas, se cruza a mão cravejada do Cristo. A mão do médico se une à mão do doente e entre elas, se cruza a mão ensanguentada de Jesus. A mão do empregado se une à mão do patrão e entre elas, se cruza a mão de mestre do Cristo. A mão da ignorância se une à mão da sabedoria e entre elas, se cruza a mão potente do Cristo. A mão pecadora se une à mão da graça e entre elas, se cruza a mão do perdão do Cristo. A mão da vida se une à mão da morte e entre elas, se cruza a mão redentora do Cristo. Lamentavelmente, somente mãos fechadas não se unem a outras mãos fechadas. Mas, mesmo assim, entre elas se põe e entre elas se cruza a mão aberta de Cristo!No colo de Jesus nós não estamos somente de mãos dadas, mas abraçados em Cristo Jesus. Juntas as mãos, formam um buquê de rosas!

Um comentário:

Ilza Nascimento disse...

Que lindo, Sergio! Bjs