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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A mentira, o castigo e a lição do agir sem violência.

Autor: Dr. Arun Ghandi

Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do Instituto M.K. Gandhi para a Vida Sem Violência, em sua palestra na Universidade de Porto Rico, compartilhou a seguinte história como exemplo da vida sem violência exemplificada por seus pais:
"Eu tinha 16 anos e estava vivendo com meuspais no instituto que meu avô havia fundado, a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul, em meio a plantações de cana de açúcar.
Estávamos bem no interior do país e não tínhamos vizinhos.
Assim, sempre nos entusiasmava, às duas irmãs e a mim, poder ir à cidade visitar amigos ou ir ao cinema.
Certo dia, meu pai me pediu que o levasse à cidade para assistir a uma conferência que duraria o dia inteiro, e eu me apressei de imediato diante da oportunidade.
Como iria à cidade, minha mãe deu-me uma lista de coisas do supermercado, as quais necessitava, e como iria passar todo o dia na cidade, meu pai me pediu que me encarregasse de algumas tarefas pendentes, como levar o carro à oficina.
Quando me despedi de meu pai, ele me disse: "Nós nos veremos neste local às 5 horas da tarde e retornaremos à casa juntos."
Após, muito rapidamente, completar todas as tarefas, fui ao cinema mais próximo. Estava tão concentrado no filme, um filme duplo de John Wayne, que me esqueci do tempo. Eram 5:30 horas da tarde, quando me lembrei.
Corri à oficina, peguei o carro e corri até onde meu pai estava me esperando. Já eram quase 6 horas da tarde.
Ele me perguntou com ansiedade: "Por que chegaste tarde?"
Eu me sentia mal com o fato e não lhe podia dizer que estava assistindo um filmede John Wayne. Então, eu lhe disse que o carro não estava pronto e que tive que esperar... isto eu disse sem saber que meu pai já havia ligado para a oficina.
Quando ele se deu conta de que eu havia mentido, disse-me:
"Algo não anda bem, na maneira pela qual te tenho educado, que não te tem proporcionado confiança em dizer-me a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado contigo. Vou caminhar as 18 milhas à casa e pensar sobre isto."
Assim, vestido com seu traje e seus sapatos elegantes, começou a caminhar até a casa, por caminhos que nem estavam asfaltados nem iluminados.
Não podia deixá-lo só. Assim, dirigi por 5 horas e meia atrás dele... vendo meu pai sofrer a agonia de uma mentira estúpida que eu havia dito.
Decidi, desde aquele momento, que nunca mais iria mentir.
Muitas vezes me recordo desse episódio e penso..
Se ele me tivesse castigado do modo que castigamos nossos filhos... teria eu aprendido a lição? . . . Não acredito . . .
Se tivesse sofrido o castigo, continuaria fazendo o mesmo. . .
Mas, tal ação de não-violência foi tão forte que a tenho impressa na memória como se fosse ontem. . .
Este é o poder da vida sem violência. . .

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Aprendi...

William Shakespeare apócrifo (*)

"
  • Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto;
  • Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las;
  • Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos;
  • Que posso usar o meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando;
  • Eu aprendi...Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida;
  • Que por mais que se corte uma pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho;
  • Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência;
  • Mas, aprendi também que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei;
  • Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles;
  • Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sente;
  • Aprendi que perdoar exige muita prática;
  • Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso;
  • Aprendi... Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas;
  • Aprendi que posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel;
  • Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso;
  • Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, e que eu tenho que me acostumar com isso;
  • Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro;
  • Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso;
  • Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto;
  • Aprendi que numa briga preciso escolher de que lado eu estou, mesmo quando não quero me envolver;
  • Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem;
  • Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte da vida;
  • Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes;
  • Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio;
  • Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério;
  • E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos;
  • Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre;
  • Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.”

(*) Um Dia Você Aprende que... é um texto escrito por Veronica A. Shoffstall, escritora norte-americana. Seu nome original é After A While. No Brasil, por causa da propagação da Internet, o texto, que estava traduzido, ficou conhecido como sendo de William Shakespeare, algo que deixou certos leitores de Shakespeare furiosos, pois estava muito longe de se assemelhar ao estilo shakesperiano. De fato, Veronica pegou um texto de Shakespeare, alterou, acrescentou, omitiu, modernizou o linguajar e publicou.