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domingo, 18 de outubro de 2009

Um oceano de plástico.

Fontes: The Independent, Greenpeace e Mindfully
















Foto do vórtex

Durabilidade, estabilidade e resistência a desintegração. As propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, também o tornam um dos maiores vilões ambientais. São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acabam nos oceanos, sendo que 80% desta fração vem de terra firme.
No oceano pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de 1000 km de extensão, vai da costa da Califórnia, atravessa o Havaí e chega a meio caminho do Japão e atinge uma profundidade de mais ou menos 10 metros . Acredita-se que haja neste vórtex de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos.

Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas , bonecas, patos de borracha, tênis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo exemplar possível de ser feito com plástico. Segundo seus descobridores, a mancha de lixo, ou sopa plástica tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.

















Ocean Plastic
O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha há 15 anos compara este vórtex a uma entidade viva, um grande animal se movimentando livremente pelo pacifico. E quando passa perto do continente, você tem praias cobertas de lixo plástico de ponta a ponta.













Tartaruga deformada por aro plástico

A bolha plástica atualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma parte estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela área no final dos anos 90 disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico a sua frente. 'Como foi possível fazermos isso?' - 'Naveguei por mais de uma semana sobre todo esse lixo'.

Pesquisadores alertam para o fato de que toda peça plástica que foi manufaturada desde que descobrimos este material, e que não foram recicladas, ainda estão em algum lugar. E ainda há o problema das partículas decompostas deste plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer, em algumas áreas do oceano pacifico podem se encontrar uma concentração de polímeros de até seis vezes mais do que o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.





















Todas a peças plásticas à direita foram tiradas do estômago desta ave

Segundo PNUMA, o programa das nações unidas para o meio ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinha todos os anos. Sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, tubarões, e centenas de espécies de peixes.


Ave morta com o estômago cheio de pedaços de plástico

E para piorar essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja, que concentraria todo tipo de poluentes persistentes, ou seja, qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, fechando-se o ciclo, na mais pura verdade de que o que fazemos à terra retorna à nós, seres humanos.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Você sabe onde jogar fora o óleo das frituras?

Hugo Rodolfo Binder (*)

Mesmo que não façamos muitas frituras, quando o fazemos, jogamos o óleo na pia ou por outro ralo, certo? Este é um dos maiores erros que podemos cometer. Por que fazemos isto, perguntam vocês. Porque infelizmente ninguém nos diz como fazer, ou não nos informamos. Sendo assim, o melhor que tem a fazer é colocar os óleos utilizados numa daquelas garrafas de plástico (por exemplo, as garrafas pet de refrigerantes), fechá-las e colocá-las no lixo normal (ou seja, o orgânico).

UM LITRO DE ÓLEO, CONTAMINA CERCA DE 1 MILHÃO DE LITROS DE ÁGUA.

O equivalente ao consumo de uma pessoa no período de 14 anos. De nada adianta criticar os responsáveis pela poluição da baía de Guanabara (RJ), rio Paraíba (PB), bacia do Tiete (SP) etc... se não fizermos a nossa parte será muito difícil.

Só o homem degrada o meio ambiente.
Só o homem pode recuperá-lo.

(*) Hugo Rodolfo Binder é Eng. Sanitarista e Ambiental da Samae-Rio Negrinho

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Decifra-me ou devoro-te.

prof. Paulo Botelho

"Não é a contaminação que ameaça o meio ambiente, mas a impureza do ar e da água."
George Bush, presidente dos Estados Unidos.

A conclusão de Bush faz lembrar o drama de Édipo, personagem trágico do poeta grego Sófocles. Para salvar uma cidade subjugada por uma esfinge (monstro mitológico) que ameaçava o povo de fome e de peste, Édipo teria que resolver o enigma proposto por ela: "Decifra-me ou Devoro-te".

Transpondo esse enigma para os nossos dias, estamos assim como Édipo. Os problemas ambientais estão a nos dizer, diariamente, "Decifra-me ou Devoro-te".

Lixo, poluição, enchente! As cidades das regiões metropolitanas continuam jogando esgoto e entulhos nos rios, lagos e lagoas. Os sacos de lixo - colocados fora de horário de recolhimento por toda a cidade - são rasgados pelos cães e esse lixo vai entupir bueiros e galerias. Os milhares de pneus encontrados nos rios e nas lagoas não chegaram lá rodando sozinhos!

Não é difícil identificar os poluidores. Eles têm cabeça, tronco, membros e rabo!

"O rio não enche. São as pessoas é que invadem a sua área de expansão" diz Benedito Lima, professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Precisamos de campanhas continuadas de conscientização para a cidadania; de consideração ao meio ambiente dia e noite. Hegel, filósofo alemão, em A Fenomenologia do Espírito diz: "Em cada anoitecer dorme uma porção de luz, mas há quem apague as luzes de dentro". - Fico pensando que existem pessoas que já nascem mesmo sem os fios ou sem os mecanismos dessa visão hegeliana(*)!

Aécio Pereira Chagas, professor do Instituto de Química da Unicamp, conta como anda a cabeça das pessoas por aí. Ele conta que uma questão de vestibular pedia ao aluno que distinguisse uma porção de sal de uma porção de açúcar, mas sem provar nenhuma delas. Um vestibulando respondeu o seguinte:

"É só dissolver cada produto em água, pegar uma seringa, chamar um diabético e injetar a solução na veia dele. Se ele morrer, é açúcar!" Aécio disse que quase desabou quando leu essa resposta.

Retomando o enigma da esfinge, Édipo então chama Tirésias. Por sua vez, o cego Tirésias, que enxergava a verdade, diz a Édipo: "Os dois olhos que tens pouco adiantam, pois não vês a miséria que te cerca; em teus olhos, que pensas ver claro, contém uma treva irreversível".

"Não é a contaminação que ameaça o meio ambiente, mas a impureza do ar e da água". - Acho que é por isso que Bush não assinou até hoje o Protocolo de Kyoto!

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor e Consultor de Empresas para Programas de Engenharia da Qualidade, Antropologia Empresarial e Gestão Ambiental. Membro da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Nota:
(*) hegelianismo - Doutrina de Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), filósofo alemão, e de seus seguidores, idealismo absoluto que identifica a realidade com a razão (“todo real é racional”), compreendida esta por meio do desenvolvimento histórico da consciência, do que resultou a criação do método dialético. [Cf. direita hegeliana e esquerda hegeliana.]