terça-feira, 17 de junho de 2008

Retrato de mãe.

tradução do original de D. Ramóm Angel Jara Bispo e Orador Chileno

“ Uma pessoa que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus, e muito de anjo pela incansável solicitude dos cuidados seus;
Uma pessoa que, ainda jovem, tem a tranqüila sabedoria de uma ancião(ã) e, na velhice, o admirável vigor da juventude;
Se de pouca instrução, desvenda com intuição inexplicável os segredos da vida e, se muito instruída age com a simplicidade de uma criança;
Uma pessoa que sendo pobre, tem como recompensa a felicidade dos que ama, e quando rica, todos os seus tesouros daria para não sofrer no coração a dor da ingratidão;
Sendo frágil, consegue reagir com a bravura de um leão;
Uma pessoa que, enquanto viva, não lhe damos o devido valor, porque ao seu lado todas as dores são esquecidas; entretanto quando morta, daríamos tudo o que somos e tudo o que temos para vê-la de novo ao menos por um só momento, receber dela um só abraço, e ouvir de seus lábios uma só palavra.
Dessa pessoa não me exijas o nome, se não quiseres que turve de lágrimas esta lembrança, porque... já a vi passar em meu caminho.
Quando teus filhos já estiverem crescidos, lê para eles estas palavras.E, enquanto eles cobrem a tua face de beijos, conta-lhes que um humilde peregrino, em paga da hospedagem recebida, deixou aqui para todos o esboço do retrato daquela pessoa que verdadeiramente soube ser sua MÃE.

Mães más.

Dr. Carlos Hecktheuer - Médico Psiquiatra

“ Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:

Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão. Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: "Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar". Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos. Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos. Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração. Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci... Porque no final vocês venceram também! E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer: "Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo...".

As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. E ela nos obrigava a jantar à mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão. Ela insistia em saber onde estávamos a toda hora (tocava nosso celular de madrugada e "fuçava" nos nossos e-mails). Era quase uma prisão. Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe dissemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.

Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela "violava as leis do trabalho infantil".

Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruéis. Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.
Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos.

- A nossa vida era mesmo chata. Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos, tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer. Enquanto todos podiam voltar tarde da noite, com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar). Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência:

- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

- FOI TUDO POR CAUSA DELA.

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos "PAIS MUITO MAUS", como minha mãe foi...

CREIO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS.”

Por que as mulheres são tão maravilhosas

Texto de Carlos Drummond de Andrade

“ A Mãe e o Pai estavam assistindo televisão, quando a Mãe disse:

- Estou cansada e já é tarde, vou me deitar!

- Foi à cozinha fazer os sanduíches para o lanche do dia seguinte na escola, passou água nas taças das pipocas, tirou a carne do freezer para o jantar do dia seguinte, confirmou se as caixas dos cereais estavam vazias, encheu o açucareiro, pôs tijelas e talheres na mesa e preparou a cafeteira do café para estar pronta para ligar no dia seguinte;

- Pôs ainda umas roupas na máquina de lavar, passou uma camisa a ferro pregou um botão que estava caindo. Guardou umas peças de jogo que ficaram em cima da mesa, e pôs o telefone no lugar;

- Regou as plantas, despejou o lixo, e pendurou uma toalha para secar;
- Bocejou, espreguiçou-se, e foi para o quarto;

- Parou ainda no escritório e escreveu uma nota para o Professor do filho, pôs num envelope junto com o dinheiro para pagamento de uma visita de estudo, e apanhou um caderno que estava caído debaixo da cadeira;

- Assinou um cartão de aniversário para uma amiga, selou o envelope, e fez uma pequena lista para o supermercado. Colocou ambos perto da carteira.

- Nessa altura, o Pai disse lá da sala: “Pensei que você tinha ido se deitar”;

- “Estou a caminho” respondeu ela. Pôs água na tijela do cão e chamou o gato para dentro de casa. Certificou-se de que as portas estavam fechadas. Espreitou para o quarto de cada um dos filhos, apagou a luz do corredor, pendurou uma camisa, atirou umas meias para o cesto de roupa suja e conversou um bocadinho com o mais velho que ainda estava estudando no quarto;

- Já no quarto, acertou o despertador, preparou a roupa para o dia seguinte e arrumou os sapatos;

- Depois lavou o rosto, passou creme, escovou os dentes e acertou uma unha quebrada;

- A essa altura, o pai desligou a televisão e disse: “Vou me deitar”.

- E foi. Sem mais nada.

- Notaram aqui alguma coisa de extraordinário?

- Ainda se perguntam por que é que as mulheres são tão MARAVILHOSAS? ”

Bebam água.

Dr. Ícaro Alves de Alcântara (*)

Há cerca de um ano, atendi no HFA uma senhorita dos seus "quase 30 anos” com uma ENXAQUECA bastante comum: Cefaléia (Dor de cabeça).
A paciente relatava que já havia passado por otorrinos, oftalmo, neuro, clínico e até endocrinologista, com as prescrições dos mais diversos tratamentos e a presunção de várias hipóteses diagnósticas, sem qualquer melhora, entretanto. Durante sua consulta, entre várias perguntas habituais, questionei o quanto de ÁGUA ela bebia por dia e de que forma (ou seja, com qual periodicidade).
A mesma me afirmou que bebia pouquíssima água, porque não sentia sede, principalmente à noite.
Após várias outras perguntas, suspendi todos os medicamentos e disse-lhe que ela precisava apenas TOMAR ÁGUA adequadamente.
Um tanto quanto descrente, ela voltou para casa.
Após apenas uma semana, retornou contando que não sentia mais dor de cabeça, que seu intestino funcionava melhor e que sua disposição havia melhorado.
Milagre?
Não, todos nós sabemos o quanto é importante uma ingestão adequada de água diariamente, mas quase sempre negligenciamos.
Todos os organismos vivos apresentam de 50% a 90% de água em si.
O próprio corpo humano é constituído em 70% POR ÁGUA que, em constante movimento, hidrata, lubrifica, aquece, transporta nutrientes, elimina toxinas e repõe energia...
Entre inúmeras outras utilidades!
Preconiza-se o número de 1 copo de 200ml de água por hora em que se estiver acordado.
Assim sendo, a ingestão de água deve ser independente da sede, constante e rigorosa. E não adianta deixar para tomar os 2 a 3 litros necessários diariamente de uma só vez.
Estudos mostram que o estômago capacita apenas 12ml/kg/hora, ou seja um adulto não conseguirá tomar mais de um litro de uma só vez sem "passar mal".
Se você ainda não se convenceu, observe:
- Cabelos - falta de vitalidade; Couro cabeludo - descamação;
- Concentração - distúrbios; Sono e Memória – com perda da disposição para realização das atividades diárias, em virtude da circulação cerebral por baixa quantidade de água que faz o sangue ficar mais "viscoso" e "grosso", de circulação mais lenta;
- ressecamento dos olhos e tecido das vias aéreas que com baixa umidade, sofrem lesões com mais facilidade por ficarem mais frágeis, assim tornando-se mais propensos a inflamações e infecções;
- conjuntivites; sinusites; bronquites; pneumonias;
- lesões da pele com aparecimento de cravos e espinhas pela não eliminação adequada das toxinas via pele e seu acúmulo local;
- queda e enfraquecimento dos pêlos;
- baixa produção de saliva;
- distúrbio no aproveitamento adequado de vitaminas e sais minerais, com excesso em alguns lugares e falta em outros, levando a cãibras, dormências, perdas de força muscular e problemas ósseos dentais;
- respiração dificultada, por vezes levando à falta de ar, sobretudo nos exercícios físicos;
- constipação e por vezes, sangramento retal (devido a fezes ressecadas, endurecidas que lesam o tecido intestinal ao moverem-se em seu interior);
- impotência ou disfunções eréteis ou, no caso das mulheres, sangramentos vaginais.
É certo que há água nos alimentos, mesmo os sólidos, mas a complementação da ingestão diária de água deve ser feita, periodicamente.
Uma forma de se observar se a quantidade de água é adequada, é observar a cor da urina, que deve ser incolor. Quanto mais forte, pouca ingestão de água está sendo feita.
Vale lembrar que é sempre bom evitar bebidas alcoólicas, ou não alcoólicas, que apesar de serem diuréticas evitam que se beba a água.
Evite também, a ingestão de água pelo menos meia hora antes do almoço, para não prejudicar a digestão.
Uma curiosidade:
Há trabalhos científicos evidenciando que muitos tratamentos com medicações orais, sobretudo anticoncepcionais, terapia de reposição hormonal e anti-hipertensivos não alcançam o devido sucesso em virtude da baixa ingestão de água por parte do paciente; isto se deveria tanto à má circulação da substância pelo corpo quanto à má absorção da mesma no intestino, processo este dependente da água como veículo de transporte para a substância.
(*) Dr. Ícaro Alves de Alcântara é médico docente da disciplina SEMIOLOGIA do UNICEUB - Centro Universitário de Brasília

O valor do silêncio na visão indígena.

Texto traduzido por Leela, Porto Alegre: "Neither Wolf nor Dog. On Forgotten Roads with an Indian Elder" - Kent Nerburn


"Nós os índios, conhecemos o silêncio.
Não temos medo dele.
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras.
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles nos transmitiram esse conhecimento.

"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam.
Esta é a maneira correta de viver.
Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes.
Observa os anciões para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que querem.
Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos, e então aprenderás.
Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.

Com vocês, brancos, é o contrário. Vocês aprendem falando.
Dão prêmios às crianças que falam mais na escola.
Em suas festas, todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões nas quais todos interrompem a todos, e todos falam cinco, dez, cem vezes.

E chamam isso de "resolver um problema".
Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos.
Precisam preencher o espaço com sons.
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.

Vocês gostam de discutir.
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase.
Sempre interrompem.

Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.
Se começas a falar, eu não vou te interromper.
Te escutarei.
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo, mas não vou interromper-te.

Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.
Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei.

Terás dito o que preciso saber.
Não há mais nada a dizer.
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.

Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes.
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio.
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando,
e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.

Existem muitas vozes além das nossas.
Muitas vozes.
Só vamos escutá-las em silêncio.”

Menkaiká

Nós somos é do Bé-Bé_Bé.

João Ubaldo Ribeiro (*)

“Acho que ando numa fase temerária, correndo riscos que uma pessoa sensata evitaria. Na semana retrasada, arrisquei-me de duas maneiras, a formal e a informal. Formalmente, arrisquei-me a ser acusado de algum delito contra a honra. Informalmente, arrisquei-me a que mobilizassem todos os recursos ao alcance do poder público para me complicar. Se fazem isso com um caseiro, imaginem com um membro das elites, como os colunistas de jornal são classificados. Tenho procurado precaver-me e, até tentei tomar certas medidas preventivas. Confrontado com um desconto de quase 40% no que me pagam pelos meus livros, pensei em oferecer logo a metade, ou 80%, ou o que quiserem, para ver se assim seguro qualquer outra represália, se bem que 80% do que ganho não deva dar para um jantar de pizza com belos vinhos, como os de Brasília. Mas já seria o suficiente para a gorjeta do garçom - e creio que as gorjetas em Brasília são pagas com os famosos cartões de crédito do governo - crédito para eles, débito para nós, é claro.

Hoje, decidi que me arriscarei a ser qualificado de subversivo, embora o termo tenha saído da moda. Mas nada impede sua volta, de maneira que me apresso a explicar que não estarei pregando a subversão, Deus me defenda. Vou apenas fazer umas comparações, com as quais desejo demonstrar a singularidade brasileira face a outras nações, inclusive e principalmente as desenvolvidas. Comparar, espero eu, não é subversivo.
E provar a nossa singularidade é quiçá um ato de amor à pátria, apesar de talvez um pouco exagerado.

Não quero, com o que vou dizer, que façamos o que outros fazem, notadamente cometer atos de violência. Quero só lembrar como somos subservientes e ovinos e quem estiver com a caneta pode fazer o que quiser conosco, que nós agüentamos, no máximo com uma chiadazinha aqui e ali. Os funcionários públicos e os ocupantes de cargos eletivos agem como se fossem - e na prática são - nossos patrões. Até a elaboração das leis, atribuição do Poder Legislativo, foi tomada pelo Executivo, através das medidas provisórias, que, na ditadura de Vargas, eram chamadas de decretos-leis. Claro, qualquer jurista interessado poderá argumentar que isto é uma asneira, até porque dirá que vivemos numa democracia - ao que, enquanto me algemam, responderei que, além de não saber o que é democracia, ele deve estar é se dando bem na lama.

Vejam o que aconteceu na França, por exemplo. Não interessa agora discutir os problemas da França ou quem tem razão na briga. O que interessa é registrar que, quando confrontada com uma canetada do poder que não lhe agradava, a francesada foi às ruas mostrar quem são os donos do país e a lei, já promulgadinha e tudo, acabou sendo revogada, porque lá os governantes não são patrões do povo. Se fosse aqui, o máximo que haveria seriam protestos de jornalistas e de freqüentadores de boteco. A lei seria devidamente engolida e ponto final, pois engolimos tudo.

Não posso conceber país nenhum em que, com a caneta do poder, um presidente ou premier prendesse o dinheiro de todo mundo, como fez o ex-presidente Collor, e ficasse tudo por isso mesmo. Não ficava. É absolutamente inimaginável, não somente para países desenvolvidos como para subdesenvolvidos também, como de vez em quando vemos na tevê ou lemos em algum lugar. Na França, então, meu Deus do céu, seriam capazes até de retirar a guilhotina da aposentadoria, como sabe qualquer um que já tentou mexer com dinheiro de francês. Em relação à lei do primeiro emprego que o governo da França promulgou e o povo revogou, acredito que a nossa reação principal seria no Rio mesmo, com um grupo de uns 500 caras-pintadas carregando faixas e abraçando o edifício do Tribunal Regional do Trabalho. Bem, talvez não 500, mas pelo menos 200, contando o pessoal que aparece para paquerar.

Recordo o nosso querido Portugal (onde, aliás, não somos mais tão queridos, agora que quem emigra para lá somos nós e não eles para cá - nada como um dia depois do outro). Se decretassem a CPMF em Portugal, o
aconselhável seria fugir de Lisboa ou buscar asilo numa embaixada. Não quero nem pensar na reação popular, notadamente quando se comprovasse o que se sabia desde o início, ou seja, que não haveria nada de provisório
nesse novo assalto ao nosso bolso. Verdade, Portugal viveu décadas sob uma ditadura, mas, quando achou a hora, fez uma revolução nada cordial, apesar do nome de Revolução dos Cravos. Quem estava lá na ocasião poderá testemunhar. Aqui não. Aqui a CPMF veio para ficar e ninguém reclama mais, os homens ordenam e a gente faz, pois, afinal, quem manda são eles, o Brasil é deles.

Toda a bandidagem que temos testemunhado e tudo o que se fez de mal ao povo, não só neste governo como nos anteriores (o atual acha que a grande solução social é dar esmolas com nomes artísticos e o dinheiro da classe média e dos próprios pobres), não nos move a nada, a não ser a resmungos e uns eventuais gritinhos. Vai-se engolindo tudo como vassalos de suseranos tirânicos e ainda se é obrigado a tolerar afirmações como "nunca se investigou tanto o governo neste país", como se isso não fosse mera obrigação e erros anteriores justificassem erros atuais, principalmente da parte de quem veio para mudar - mudar de apartamento para mansão, em alguns casos. Portanto, carneiros sendo, carneiros continuaremos a ser e suspeito até que, se baixassem uma medida obrigando todos os assalariados a pôr suas mulheres à disposição do governo, como os japoneses fizeram com os coreanos, alguns protestariam, outros matariam as mulheres (nossa solução mais tradicional para problemas com mulheres), mas a maioria, depois de queixas logo esquecidas por causa da Copa, emitiria o mesmo "bé" de sempre. Ou "mu", no caso.”
(*) João Ubaldo Robeiro é escrito e jornalista do O GLOBO.

A revolução dos probos. (SR)

Autor: Sergio L. M. Rocha (*)

Diante a tudo que temos assistido nos últimos tempos, a única saída que vejo para o nosso país, são as pessoas que se consideram probas reagirem promovendo uma nova revolução.

Não uma revolução pelas armas de fogo, mas sim pelo fogo das armas do bom comportamento, da ética, da honestidade, da dignidade, do profissionalismo, do bom caráter, da solidariedade, do respeito à coisa pública, da integridade, do valor pessoal, da moral, do cumprimento às leis.

Os probos, por mais humildes que sejam, precisam reagir de forma firme e contundente, ao invés de ficarem apenas indignados e reclamando com seus conhecidos ou pelos jornais.

Os probos precisam se orgulhar do que são, precisam assumir publicamente, de maneira clara e inequívoca, a defesa daquilo que acham certo e errado, sem medos.

Os probos, no meio em que vivem, precisam lutar contra os maus cidadãos, seja quem for - corruptos e corruptores; desonestos; seguidores da ”lei de Gérson” – “o negócio é levar vantagem em tudo, certo!”, ou de Maquiavel onde “os fins justificam os meios”; os pequenos ditadores; os não éticos; os pústulas que estão entranhados em todos os segmentos da sociedade.

Roubar, enganar, tripudiar, passar os outros pra trás, têm que ser repelidos pela grande maioria da população. Não podem de maneira alguma constituir algo que valorize a pessoa que se julga a mais “esperta” ou “ a maior”, por que o resto é otário.

Os probos conhecem bem os que prestam e os que não prestam no seu pequeno círculo de convivência, sejam amigos, colegas, parentes, etc.

Precisam lutar para assumir posições decisórias, precisam se organizar, precisam desenvolver mecanismos que lhes permitam identificar melhor os que dele se aproximam ou quem ele convivem, e principalmente, constituir uma grande comunidade de probos.

Os pústulas manifestam abertamente suas posições e se orgulham disso e por isso se fortalecem, atraindo desta forma outros indivíduos que como eles , pensam e agem.
Diz o velho ditado que “pássaros de mesma pena voam juntos”, então porque os probos também não passam a assumir abertamente suas posições e valores, atraindo assim os seus semelhantes.

Que a revolução dos probos se faça logo, para o bem de todos e do nosso país.


(*) Sergio L. M. Rocha é Administrador de empresas CRA-RJ e Consultor.