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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uma oportunidade perdida.


Autor: jornalista Luiz Paulo Horta


“Fala-se muito na nossa crise de valores. Isso parece levar a uma certa perplexidade. Há valores que a gente traz do berço, ou da mais tenra infância. Quem não carrega consigo essa herança afetiva tende a se enredar nas malhas da vida. O Brasil cresceu, como se sabe, no bojo de uma economia escravagista. Terminada a escravidão oficial, a herança que ela deixou era tão pesada que até hoje vergamos ao peso das desigualdades sociais. Não conseguimos chegar a um acordo sobre políticas públicas que realmente liquidem ou atenuem a desigualdade. (basta ver a discussão tão cega sobre assuntos de educação, onde a ênfase foi posta na universidade, quando devia estar no ensino fundamental).Eis que, de repente, surge um líder popular, de origem sindical, dotado de talento e capacidade de liderança. Ele se apresenta como alguém capaz de levar ao poder ideais considerados de esquerda sem trazer na mala o ranço ideológico que sempre mantinha, aqui, a esquerda afastada do centro do poder. Era a ponte entre o Brasil de baixo e o Brasil de cima a Revolução brasileira feita sem derramamento de sangue – e, não por acaso, brilharam os olhos de estrangeiros (sobretudo franceses) que gostam de trajetórias políticas inovadoras.O sonho pareceu tornar-se realidade num processo eleitoral que ninguém contestou. Mas eis que, de repente, instala-se a névoa sobre os palácios brasilianos e, aos poucos, emergem dessa névoa sinais inequívocos da degenerescência que se costuma associar ao exercício do poder. È esse eclipse de valores que hoje nos angustia. E às vezes é mais fácil sentir o que é um valor pela sua própria ausência.A verdade é um valor: falar às claras, agir de acordo com o que se pensa. Mas, agora, é o próprio núcleo do poder que toma acintosamente distância em relação à verdade que trata a verdade como objeto de barganha, de manipulação. E quando essa lição vem do centro do poder, não é de espantar que tudo o mais pareça tão fora do lugar.”

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A verdadeira Carta aberta à Renato Aragão, sobre doação ao Criança Esperança, da jornalista Eliane Sinhasique.


Jornalista Eliane Sinhasique (*)
"Rio Branco, Ac – 23 de agosto de 2007

Querido Didi,

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências). Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por "algum" motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária. Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos impostos embutidos em cada alimento, em cada produto que preciso comprar para minha família.

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não tem a educação como prioridade. O dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda?

Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é "o cara". Ele tem a chave do cofre. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da "minha" doação, que a "minha" doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família. Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os professores. Só escolher quem de fato tem vocação para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam, além de ler, escrever e fazer contas, desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...
Eliane Sinhasique
Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari
P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal educada: vou rasgá-la antes de abrir"


domingo, 23 de agosto de 2009

Simetria na casa dos horrores.


Autor: Candido Mendes(*)
O Globo 22/08/09


Mais do que a indignação, agora, com os escândalos do Senado, frustramo-nos ao saber de vez que continuaremos no "tudo bem". Mas o país começa a perceber a ingenuidade da própria cólera face aos muitos Brasis que envolve a nossa representação política. Por quanto tempo demorará a memória do incidente Sarney diante da certeza inabalável de coronéis e cangaceiros de que se manterá a casa de horrores na Praça dos Três Poderes?

O que está em causa é saber-se como, pela nova exigência da democracia, o país vai se acomodar ainda ao denuncismo moralista, que termina por reforçar o status quo diante das sempiternas propostas da maquiagem reformista. Avança, de fato, uma consciência nacional contra a cosanostra e as políticas de clientela, pedida pelo desenvolvimento sustentado e chegando a uma real emergência cívica?

Escândalos como os de agora não chegam à maioria da população. Essa, das classes C, D e E, hoje mobilizadas pela mudança e pela definitiva opção do povo de Lula pela continuação do que representa o seu governo. De outra parte, o desfecho final pelo arquivamento das denúncias mostra, também, com a saineta grotesca do deputado Paulo Duque, como sempre voltamos ao dantes no quartel de Abrantes. A raiva contra o Senado e seus exorcismos oratórios pode levar aos disparates constitucionais, como, por exemplo, a supressão da Casa, propondo-se a adoção de um sistema unicameral.

Chegamos ao paradoxo de violar a democracia pelos desmandos dos legisladores. O Congresso exprime a voz do povo e dos Estados, distintamente. Nessa condição constitui a vontade nacional. Coronéis e cangaceiros são também parte da representação nacional nesses dois Brasis, que vão ainda continuar e só se modificam por uma maturação da consciência coletiva. Eleições legítimas são as que não excluem ninguém, e os interesses do establishment continuam, resistem e às vezes até se recuperam. Mais ainda, podem tecnologicamente modernizar-se como donos da mídia e de novas capatazias dos currais eletrônicos.

Tanto haja subdesenvolvimento, tanto permanecerão chefias e caciques do velho regime e sua presença agressiva nos cenáculos de poder, seus dedos em riste, seu direito ao palavrão e suas desculpas. Mesmo porque a diatribe acaba sempre na mesma domesticidade do país das clãs e do destempero, tão repetido quanto familiar. O vocábulo da descompostura, por sua vez, é parco, como a subalimentação mofina do país das clientelas.

O destampatório das últimas semanas foi a este id profundo do nosso inconsciente coletivo instalado. Nele, a simetria de coronéis e cangaceiros garante, paradoxalmente também, sua solidariedade de base. E a realpolitik também é simétrica, no maquiavelismo de pedir o governo a aliança já, para desmantelá-la depois com seus resultados, ou o dos coronéis, de acreditar que ficarão no meio do caminho com as benesses da hora soltando o mudancismo petista.

O Brasil de fundo vê o affair do Senado como problema da nação dos ricos. A que nasce agora com menos injustiça social envolve o país que se beneficiou do PAC e só olha para a frente. Os aliancismos têm desfecho certo, removendo, pelos novos canteiros de obra, os municípios dos velhos pactos de poder. E o PT cobra agenda mais que acelerada para voltar à frente desse eleitorado que, saindo da marginalidade, trouxe nesse biênio a população de uma Colômbia ao povo de Lula.

(*) CANDIDO MENDES é presidente do Senior Board do Conselho Internacional de Ciências Sociais da Unesco.

A CAMINHO DOS 99,9999995%


Autor: Gilberto Geraldo Garbi (*)

Há poucos dias, a imprensa anunciou amplamente que, segundo as últimas pesquisas de opinião, Lula bateu de novo seus recordes anteriores de popularidade e chegou a 84% de avaliação positiva. É, realmente, algo “nunca antes visto nesse país” e eu fiquei me perguntando o que poderemos esperar das próximas consultas populares.

Lembro-me de que quando Lula chegou aos 70% achei que ele jamais bateria Hitler, a quem, em seu auge, a cultíssima Alemanha chegara a conceder 82% de aprovação.

Mas eu estava enganado: nosso operário-presidente já deixou para trás o psicopata de bigodinho e hoje só deve estar perdendo para Fidel Castro e para aquele tiranete caricato da Coréia do Norte, cujo nome jamais me interessei em guardar. Mas Lula tem uma vantagem sobre os dois ditadores: aqui as pesquisas refletem verdadeiramente o que o povo pensa, enquanto em Cuba e na Coréia do Norte as pesquisas de opinião lembram o que se dizia dos plebiscitos portugueses durante a ditadura lusitana: SIM, Salazar fica; NÃO, Salazar não sai; brancos e nulos sendo contados a favor do governo...


Portanto, a popularidade de Lula ainda “tem espaço” para crescer, para empregar essa expressão surrada e pedante, mas adorada pelos economistas.. E faltam apenas cerca de 16% para que Lula possa, com suas habituais presunção e imodéstia, anunciar ao mundo que obteve a
unanimidade dos brasileiros em torno de seu nome, superando até Jesus Cristo ou outras celebridades menores que jamais conseguiram livrar-se de alguma oposição...

Sim, faltam apenas 16% mas eu tenho uma péssima notícia a dar a seu hipertrofiado ego: pode tirar o cavalinho da chuva, cumpanhero, porque de 99,9999995% você não passa.

Como você não é muito chegado a Aritmética, exceto nos cálculos rudimentares dos percentuais sobre os orçamentos dos ministérios que você entrega aos partidos que constituem sua base de sustentação no Congresso, explico melhor: o Brasil tem 200.000.000 de habitantes, um dos quais sou eu. Represento, portanto, 1 em 200.000.000, ou seja, 0,0000005% enquanto os demais brasileiros totalizam os restantes 99,9999995%. Esses, talvez, você possa conquistar, em todo ou em parte. Mas meus humildes 0,0000005% você jamais terá porque não há força neste ou em outros mundos, nem todo o dinheiro com que você tem comprado votos e apoios nos aterros sanitários da política brasileira, não há, repito, força capaz de mudar minha convicção de que você foi o pior dentre todos os presidentes que tive a infelicidade de ver comandando o Brasil em meus 65 anos de vida.


E minha convicção fundamenta-se em um fato simples: convenci-me de que na raiz de tudo está a mentalidade dominante no Brasil, essa mentalidade dos que valorizam a esperteza e o sucesso a qualquer custo; dos que detestam o trabalho e o estudo; dos que buscam o acesso ao patrimônio público para proveito pessoal; dos que almejam os cabides de emprego, as sinecuras e os cargos fantasmas; dos que criam infindáveis dinastias nepotistas nos órgãos públicos; dos que desprezam a justiça desde que a injustiça lhes seja vantajosa; dos que só reclamam dos privilégios por não estar incluídos entre os privilegiados; dos que enriquecem através dos negócios sujos com o Estado; dos que vendem seus votos por uma camiseta, um sanduíche ou, como agora, uma bolsa família; dos que são de tal forma ignorantes e alienados que se deixam iludir pelas prostitutas da política e beijam-lhes as mãos por receber de volta algumas migalhas do muito que lhes vem sendo roubado desde as origens dos tempos; dos que são incapazes de discernir, comover-se e indignar-se diante de infâmias.

Pense a maioria o que quiser, diga a maioria o que disser, não mudarei minha convicção de que este País só deixará de ser o que é – uma terra onde as riquezas produzidas pelo suor da parte honesta e trabalhadora é saqueada pelos parasitas do Estado e pelos ladrões privados eternamente impunes – quando a mentalidade da população e de seus representantes for profundamente mudada.


MUDADA PELA EDUCAÇÃO, PELA PERSEVERANÇA, PELA PUNIÇÃO DOS MAUS, PELA RECOMPENSA DOS BONS E PELO EXEMPLO DOS GOVERNANTES.

E você Lula, teve uma oportunidade única de dar início à mudança dessa mentalidade, embalado que estava com uma vitória popular que poderia fazer com que o Congresso se curvasse diante de sua autoridade moral, se você a tivesse.

Você teve a oportunidade de tornar-se nossa tão esperada âncora moral, esta sim, nunca antes vista nesse País.

Mas não, você preferiu o caminho mais fácil e batido das práticas populistas e coronelistas de sempre, da compra de tudo e de todos.

Infelizmente para o Brasil, mas felizmente para os objetivos pessoais seus e de seu grupo, você estava certo: para que se esforçar, escorado apenas em princípios de decência, se muito mais rápido e eficiente é comprar o que for necessário, nessa terra onde quase tudo está à venda?

Eu não o considero inteligente, no sentido estrito da palavra, porque uma pessoa verdadeiramente inteligente, depois de chegar aonde você chegou, partindo de onde você partiu, não chafurdaria nesse lamaçal em que você e sua malta alegremente circulam, nem se entregaria a seu permanente êxtase de vaidade e auto idolatria.

Mas reconheço em você uma esperteza excepcional: nunca antes nesse País um presidente explorou tão bem, em proveito próprio e de seu bando, as piores qualidades da massa brasileira e de seus representantes.

Esse é seu legado maior, e de longa duração: o de haver escancarado a lúgubre realidade de que o Brasil continua o mesmo que Darwin encontrou quando passou por essas plagas em 1832 e anotou em seu diário: “Aqui todos são subornáveis”.

Você não inventou a corrupção brasileira, mas fez dela um maquiavélico instrumento de poder, tornando-a generalizada e fazendo-a permear até os últimos níveis da Administração.

Você é o sonho de consumo da banda podre desse País, o exemplo que os funcionários corruptos do Brasil sempre esperaram para poder dar, sem temores, plena vazão a seus instintos.

Você faz da mentira e da demagogia seu principal veículo de comunicação com a massa.

Você mentiu quando disse haver recebido como herança maldita a política econômica de seu antecessor, a mesma política que você manteve integralmente e que fez a economia brasileira prosperar.

Você mentiu ao dizer que não sabia do Mensalão.

Mentiu quando disse que seu filho enriqueceu através do trabalho.

Mentiu sobre os milhões que a Ong 13, de sua filha, recebeu sem prestar contas.

Mentiu ao afastar Dirceu, Palocci, Gushiken e outros "cumpanheros" pegos em flagrante.

Mente quando, para cada platéia, fala coisas diferentes, escolhidas sob medida para agradá-las.

Mentiu, mente e mentirá em qualquer situação que lhe convenha.

Por falar em Ongs, você comprou a esquerda festiva, aquela que odeia o trabalho e vive do trabalho de outros, dando-lhe bilhões de reais através de Ongs que nada fazem, a não ser refestelar-se em dinheiro público, viajar, acampar, discursar contra os exploradores do povo e
desperdiçar os recursos que tanta falta fazem aos hospitais.

Você não moveu uma palha, em seis anos de presidência, para modificar as leis odiosas que protegem criminosos de todos os tipos neste País sedento de Justiça e encharcado pelas lágrimas dos familiares de tantas vítimas.

Jamais sua base no Congresso preocupou-se em fechar ao menos as mais gritantes brechas legais pelas quais os criminosos endinheirados conseguem sempre permanecer impunes, rindo-se de todos nós.

Ao contrário, o Supremo, onde você tem grande influência, por haver indicado um bom número de Ministros, acaba de julgar que mesmo os condenados em segunda instância podem permanecer em liberdade, até que todas as apelações, recursos e embargos sejam julgados, o que, no Brasil, leva décadas.

Lula, você não tem nem nunca teve ideais, apenas ambições.

Você jamais foi inspirado por qualquer anseio de Justiça. Todas as suas ações, ao longo da vida, foram motivadas por rancores, invejas, sede pessoal de poder e irrefreável necessidade de ser adorado e ter seu ego adulado.

Seu desprezo por aquilo que as pessoas honradas consideram Justiça manifesta-se o tempo todo: quando você celeremente despachou para Cuba alguns pobres desertores que aqui buscavam a liberdade; quando você deu asilo a assassinos terroristas da esquerda radical; quando você se aliou à escória do Congresso, aquela mesma contra quem você vociferava no passado; quando concedeu aumentos nababescos a categorias de funcionários públicos já regiamente pagos, às custas dos impostos arrancados do couro de quem trabalha arduamente e ganha pouco; quando você aumentou abusivamente as despesas de custeio, sabendo que pouquíssimo da arrecadação sobraria para os investimentos de que tanto carece a população; quando você despreza o mérito e privilegia o compadrio e o populismo; e vai por aí... Justiça, ora a Justiça, é o que você pensa...

Você tem dividido a nação, jogando regiões contra regiões, classes contra classes e raças contra raças, para tirar proveito das desavenças que fomenta.

Mas você, no íntimo, despreza o ensino, a educação e a cultura, porque conseguiu tudo o que queria, mesmo sendo inculto e vulgar. Além disso, melhorar a educação toma um tempo enorme e dá muito trabalho, não é mesmo?

E se há coisa que você e o Partido dos Trabalhadores definitivamente detestam é o trabalho: então, muito mais fácil é o atalho das cotas, mesmo que elas criem hostilidades entres as cores, que seus critérios sejam burlados o tempo todo e que filhos de negros milionários possam valer-se delas.

A Imprensa faz-lhe pouca oposição porque você a calou, manipulando as verbas publicitárias, pressionando-a economicamente e perseguindo jornalistas.

O que houve entre o BNDES e as redes de televisão?

O que você mandou fazer a Arnaldo Jabor, a Boris Casoy, a Salete Lemos?

Essa técnica de comprar ou perseguir é muito eficaz. Pablo Escobar usou-a com muito sucesso na Colômbia, quando dava a seus eventuais opositores as opções: “O plata, o plomo”. Peça ao Marco Aurélio para traduzir. Ele fala bem o Espanhol.

Você pode desdenhar tudo aquilo que aqui foi dito, como desdenha a todos que não o bajulem.

Afinal, se você não é o maior estadista do planeta, se seu governo não é maravilhoso, como explicar tamanha popularidade?

É fácil: políticos, sindicatos, imprensa, ONGs, movimentos sociais, funcionários públicos, miseráveis, você comprou com dinheiro, bolsas, cotas, cargos e medidas demagógicas.

Muita gente que trabalha, mas desconhece o que se passa nas entranhas de seu governo, satisfez-se com o pouco mais de dinheiro que passou a ganhar, em consequência do modesto crescimento econômico que foi plantado anteriormente, mas que caiu em seu colo.

Tudo, então, pode se resumir ao dinheiro e grande parte da população parece estar disposta a ignorar os princípios da honradez e da honestidade e a relevar as mentiras, a corrupção, os desperdícios, os abusos e as injustiças que marcam seu governo em troca do prato de lentilhas da melhoria econômica.

É esse, em síntese, o triste retrato do Brasil de hoje... E, como se diz na França, “l´argent n´est tout que dans les siècles où les hommes ne sont rien”.

Você não entendeu, não é mesmo? Então pergunte à Marta. Ela adora Paris e a gente sustentou seu gigolô franco-argentino por um bom tempo...


(*) Gilberto Geraldo Garbi foi classificado a seu tempo como UM DOS MELHORES ALUNOS DE MATEMÁTICA que já haviam adentrado o ITA, entre outras honrarias que recebeu daquela instituição. Depois de graduado, desenvolveu carreira na TELEPAR, onde chegou a Diretor Técnico e Diretor Presidente, sendo depois Presidente daTELEBRÁS.

Quadrilhas públicas.


DOM JOÃO DE ORLEANS E BRAGANÇA
O Globo - 07/08/2009


“Que saiam democraticamente da vida institucional brasileira estes senhores e senhoras, famiglias feudais que insistem em misturar o público e o privado, para quem o “Brasil não é um país de todos”, é mais deles. São passado e não podem continuar no presente.

Que saiam filhos, netos, namorados, indicados, apadrinhados, apaniguados, contratados com nepotismo cruzado, com orçamentos superfaturados.

Que sejam julgados. Que todos sejam tratados como pessoas comuns independentemente de suas biografias. Somos todos iguais.

Que entrem para a política cada vez mais idealistas e patriotas. Que os conselhos de ética sejam de ética e não um teatro. Que ninguém se lixe para a opinião publica.

Que caixa 2 não seja usado sistematicamente pelos partidos políticos.

Que não precisem enfiar a mão na m…. para fazer política.

Que não se aceite a política como ela é hoje. Que se respeite 190 milhões de brasileiros. Que não se admita que os meios justifiquem os fins.

É a porta aberta para o autoritarismo.

Que não se use milhares de cargos públicos para abrigar políticos incompetentes.

Que nos indignemos com as conversas cifradas, às escondidas, por telefone, entre os quadrilheiros que combinam negócios públicos em beneficio próprio. Minha admiração pelo Ministério Público e pela Policia Federal. Que não se julgue políticos só pelo que eles fazem durante o mandato, e sim pelo que eles fizeram durante a vida. Caráter e ética não têm prazo fixo.

Que os formadores de opinião e intelectuais que tanto lutaram durante a ditadura continuem presentes deixando partidos e ideologia em segundo lugar.

O Brasil vem em primeiro.

Que a alternância de poder cada vez mais enriqueça o debate político e promova o surgimento de novas lideranças.

Que se fortaleça a independência dos Poderes e não se aceite interferência. É um dos pilares da democracia.

Que se lute pela defesa da Res-Pública.

Onde estão os valores republicanos? Não é republicano defender os senadores Sarney, Renan e Jader Barbalho, afundados em denúncias e claros indícios de ilegalidade e imoralidade.

Que se questionem aqueles que brigaram, se xingaram, se denunciaram e hoje se abraçam pela política mesquinha.

Que não se venda a alma ao diabo pela governabilidade. A normalidade institucional e os brasileiros pagarão por estes pecados.

Que se pense mais na próxima geração do que na próxima eleição. Que os políticos sejam e pareçam honestos.

Que se fortaleçam cada vez mais as instituições de Governo e de Estado.

Montesquieu dizia no século XVIII : “O Estado moderno deve converter as virtudes pessoais em virtudes institucionais.” Que o fim da impunidade seja o começo e causa principal para esta mudança com a criação de uma secretaria especial, independente, com promotores e juízes e a finalidade específica de investigar e indiciar nos processos que envolvam a esfera pública, com penas mais pesadas para quem lesa o país.

Que acabe o foro privilegiado (para crimes comuns) que envolvam políticos tirando dos tribunais superiores os processos que não andam pela falta de agilidade e excesso de recursos.

Que os cargos de administração no Senado e na Câmara de deputados sejam ocupados por concursados com mandatos curtos.

Que tenha limitação constitucional a indicação política para cargos públicos.

Na Inglaterra são 300, o resto são técnicos de carreira. Nos EUA são perto de 10.000 em todo o país.

Que haja descentralização econômica na esfera federal. Há uma promiscuidade enorme entre forças políticas que dependem de verba, tanto nos repasses aos estados quanto nas emendas ao orçamento que viram moeda de troca nas votações importantes para o governo.

Estas emendas existem em vários países, mas passam por uma comissão de avaliação independente.

Uma pesquisa que faz parte do livro “A cabeça do brasileiro”, do professor Alberto Carlos Almeida, mostra como a “zona cinzenta moral”, o “jeitinho” e a corrupção são cada vez menos aceitos à medida que os índices de escolaridade aumentam. Tanto no jeitinho quanto na corrupção “ignorou-se um principio geral: a necessidade de se seguir regras e leis. A diferença entre ambos é de grau, mas não de conteúdo”.

O professor diz ainda que “está em curso uma importante mudança nos padrões morais do Brasil à medida que as gerações se sucedem”. Acesso a informação, escolaridade e educação são o caminho para este quadro continuar a mudar.

É possível! Podemos chegar perto disso. Passamos por dois períodos importantes de nossa história recente.

A luta pela democracia. Conseguimos! A estabilidade da moeda, tornandose prioridade de estado, e não só de governo, fazendo com que 45 milhões de pessoas ascendessem socialmente nos últimos 15 anos.

Acredito que estamos no período de varrer as quadrilhas públicas. Nunca chegaremos à perfeição. Nenhum país chegou, mas podemos avançar muito.

Estamos diante de dois quadros sobre o mesmo tema. O ruim são os inimigos públicos de terno e gravata, com suas unhas esmaltadas e cabelos pintados (nem todos), que, articulados, falam nos telejornais, vão às cerimônias e são aliados do governo de plantão, mas não são aliados do Brasil, nem da ética, pelo contrário, se defendem, enriquecem às custas de obras públicas, licitações dirigidas, concessões e empreiteiras legislando em causa própria. São as raposas tomando conta do galinheiro.

O quadro bom são a transparência e as liberdades para que possamos ver estes tumores abertamente. É um grande avanço detectar e se indignar.

O Brasil precisa daqueles que sirvam ao país, não daqueles que se servem.

Tudo isto é a minha opinião de cidadão brasileiro, que, como todos, tem direitos e obrigações, a começar pelo respeito ao Brasil .

OBS: O termo “quadrilha” foi usado em entrevistas por vários presidentes nos últimos 20 anos para qualificar uns aos outros. Os mesmos que confraternizam hoje.”

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cada país é o espelho do seu povo.

Autor: Wagner Siqueira (*)


Estamos vivendo dias difíceis.
Além dos graves problemas sociais, enfrentamos no Brasil uma crise moral que corrói as relações entre os cidadãos e transforma a nação numa espécie de casa mal arrumada.
O brasileiro reclama pelos cantos e destila sua raiva nos políticos, que levam a culpa por todas as mazelas.
O político, mais precisamente o parlamentar, tem sua parcela de culpa. Mas não é o único culpado.
Num estado democrático, Legislativo, Executivo e Judiciário têm a mesma responsabilidade de preservar o decoro nas esferas de poder, agir com honestidade e competência e zelar pela ética e pelo respeito à cidadania.
O país é o espelho de seu povo.
Reflete exatamente o que pensa e anseia a população, que elege seus representantes no Legislativo e no Executivo, que tem a obrigação de fiscalizar as ações do Judiciário.
A sociedade dispõe de meios eficazes de cobrança, como a imprensa, os sindicatos, as associações de classe e o mais importante deles, o voto com o qual afasta da vida pública os que não honram o mandato recebido.
Desmoralizar a política, os políticos e especialmente o parlamento, é uma atitude simplista, de quem não quer se dar ao trabalho de analisar em profundidade as causas de tantos problemas, de tanta corrupção, de tanta inépcia dos que foram eleitos para defender os interesses da população. Se esquecem esses arautos do caos que o Legislativo é o coração da democracia.
Rui Barbosa dizia que "de tanto ver triunfar nulidades o homem sente vergonha de ser honesto". Está aí a maior prova de que a corrupção, essa doença que mina as nossas instituições, se instalou no Brasil há muitos anos.
Contra ela, os homens de bem, que são com certeza a maioria, continuam lutando tenazmente.
E muitas batalhas já foram ganhas, embora a guerra ainda esteja longe de terminar.
Só a tomada de consciência dos cidadãos, cada um fazendo a sua parte, por menor que seja, será capaz de transformar a sociedade brasileira.
O futuro está nas nossas mãos, logo não podemos abdicar da esperança, do otimismo.
A utopia de alcançarmos a justiça social plena, a igualdade de oportunidades para todos é o combustível que nos levará a escolher governantes e representantes dignos da nossa confiança.
Jamais chegaremos a uma democracia estável ou construiremos um país ético sem a participação ativa do cidadão.
Sou otimista, confio em dias melhores porque estou disposto a trabalhar para essa conquista. Mas sei que uma andorinha só não faz verão.
É preciso que todos nós persigamos incansavelmente o mesmo objetivo. Nossas armas são a consciência e a participação.
O Brasil, essa grande nação, clama por uma revolução ética.
Não há tempo a perder.
Mãos à obra.

(*) Filho de Belmiro Siqueira, Patrono dos Administradores, WAGNER SIQUEIRA é o mais expressivo líder da categoria no Estado do Rio de Janeiro, pois sempre atuou com firmeza e competência para garantir o exercício legal e a expansão do mercado de trabalho dos administradores.
Trabalhando em defesa da profissão, WAGNER SIQUEIRA foi Presidente do Sindicato dos Administradores, da Federação Nacional e, mais tarde, à frente do Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro, iniciou uma nova era na gestão daquela instituição, que a tornou uma das mais fortes e participativas entre as entidades de representação profissional.