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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Saudade derramada. (SR)

Autor: Sergio L. M. Rocha


Saudade!

Teu olhar longo e macio,

Derramando doçura em meu olhar.

Um bocado de sol sentindo frio,

Uma estrela vestida de luar.


Saudade!

Pobre beijo fugidio,

Que eu tanto quis e não cheguei a dar.

A mansidão inédita de um rio,

Na volúpia satânica do mar.


Saudade!

O nosso amor, o meu carinho, o teu afago.

O teu olhar tão lindo,

Um pedaço do céu dentro de um lago.


Saudade!

Um lenço branco me acenando,

Uma vontade de chorar sorrindo,

Uma vontade de sorrir chorando.

domingo, 18 de abril de 2010

Saudade é o amor que fica...

Autor: Dr. Rogério Brandão (*) 

Médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional, com toda vivência e experiência que o exercício da medicina nos traz, posso afirmar que cresci e me modifiquei com os dramas vivenciados pelos meus pacientes.
Dizem que a dor é quem ensina a gemer.
Não conhecemos nossa verdadeira dimensão, até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.
Descobrimos uma força mágica que nos ergue, nos anima, e não raro, nos descobrimos confortando aqueles que vieram para nos confortar.

Um dia, um anjo passou por mim...

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada, porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames, manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia.
Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe.
E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

Meu anjo respondeu:

- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores.
Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio.
Eu não nasci para esta vida!
Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:
- E o que morte representa para você, minha querida?
- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é?
(Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)
- É isso mesmo, e então?
- Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?
- É isso mesmo querida, você é muito esperta!
- Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!
Fiquei boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem ação.
- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.
Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo:

- E o que saudade significa para você, minha querida?

- Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica!
 
(*) Médico oncologista clínico - Recife, Boa Vista

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Prá você.

Autora: Ilza Nascimento 



"Que nunca lhe falte carinho,
Coragem, mensagens,
Que nunca te sintas sozinho
Mesmo que em plena viagem,
Longe de casa, do que mais gostas.
Que sintas que mesmo longe
Tem alguém que não te esquece
E muito embora não a vejas,
No teu pensamento, no teu coração,
Com certeza ela sempre aparece...
Te guardo sempre, em lembrança
Em pensamento, em cada momento
E me sinto mesmo uma criança
Quando, ao sabor do vento,
Tuas palavras vem brincar nos meus ouvidos..."

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Desejo póstumo de Yumi Faraci.

Autora: Yumi Faraci (*)

"Gostaria que minhas cinzas fossem jogadas do alto de uma montanha e no mar.
Quando sentirem saudades minhas, respirem, estou presente no ar.
Quando sentirem saudades minhas, mergulhem, estou presente no mar.
Estou presente no mundo.
Estou presente no coração de cada um de vocês."


(*) estudante de arquitetura, uma das vítimas da tragédia na pousada Sankay na madrugada de 01 de janeiro de 2010, sexta-feira, em Angra dos Reis (RJ).