quinta-feira, 16 de abril de 2009

Há um tempo para todas as coisas...


Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Há tempo de adoecer, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Há tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de lastimar, e tempo de dançar;
Há tempo de espalhar pedras, e tempo de juntá-las; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar;
Há tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora;
Há tempo de rasgar, e tempo de cozer; tempo de ficar calado, e tempo de falar;
Há tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
(Eclesiastes) '


O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas, sim, na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.'

sábado, 11 de abril de 2009

Do mundo virtual ao espiritual

Frei Betto
"Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, daMongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos,recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?'
Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'.
Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'.
'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé,de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garotaro robotizada.
Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!'
Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual.
Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva.. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!'
O problema é que, em geral, não se chega!
Quem cede, desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor.
Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.
Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.
Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...
Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:'Estou apenas fazendo um passeio socrático.'
Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas.
Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"

quarta-feira, 25 de março de 2009

Estresse e Infarto em alta.

Dr. Gilberto Ururahy (médico)
(publicado no O GLOBO de 20/023/2009)

Na crise econômica, algumas empresas têm reduzido os sus quadros, gerando um clima de insegurança entre funcionários e executivos responsáveis pelas decisões estratégicas. A agenda corporativa passou a ser marcada por uma rotina de decisões sobre redução de investimentos, cortes de despesas, aumento da competitividade e busca obsessiva por resultados. A saúde desses profissionais se tornou vítima, muitas vezes fatal, desse cenário.
Trata-se d um fenômeno que a economia transferiu à medicina: o estresse crônico encontra grande espaço para se desenvolver. Todos os agentes causadores de estresse, combinados com hábitos nocivos À saúde, como alimentação desequilibrada, sedentarismo, tabagismo, excesso de bebidas alcoólicas e noites mal dormidas, formam condições propícias para o aparecimento, em grande escala, das doenças que mais matam e incapacitam os homens neste século XXI.
O estresse se apresenta como pano de fundo de muitas doenças como o acidente vascular cerebral,infarto do miocárdio e o câncer. A descrição desse quadro reforça ainda mais a importância da prática preventiva, para que o indivíduo esteja apto a manter sua longevidade com autonomia.
Nossa clínica realizou mais de 45.000 “checkups” médicos entre homens e mulheres, sendo a maioria executivos de grandes companhias brasileiras e estrangeiras. No último trimestre de 2008, registramos um aumento expressivo de 64% para 75% nos níveis de estresse dessas pessoas.
A insônia, por exemplo, entre os analisados, passou de 18% para 22%, se comparados ao último trimestre de 2007.
Recente pesquisa realizada pelo médico-chefe da unidade coronariana de conceituado hospital do Rio de Janeiro deonstrou que em uma população de indivíduos com nível superior houve um aumento de 41% de infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais, após o início da atual crise no mercado financeiro – se comparado a turbulência da Bolsa de Valores no período 2001/2002.
A inquietude dos mercados parece ter vida longa e, quando nos referimos ao estresse, falamos de estresse crônico, de longo curso, aquele que gera doenças. Este provoca no corpo a produção de dois hormônios: o cortisol – que mobiliza as gorduras acumuladas no organismo, produz aumento de colesterol, reduz a imunidade, espessa o sangue, conduz o indivíduo à depressão – e adrenalina – que estreita o calibre das artérias, gera taquicardia e aumenta a pressão arterial. È nessa condição que o indivíduo se encontra mais vulnerável e pode desenvolver doenças como hipertensão arterial, angina do peito, infarto agudo do miocárdio, úlceras, gastrites, colites, queda do desejo sexual, insônia, fobias, depressão, irritabilidade, entre outras.
A preocupação com o bem-estar físico e mental dos executivos e trabalhadores em geral não pode ser considerada como uma benesse por parte das empresas. Lentamente, as companhias brasileiras estão descobrindo que o investimento em qualidade de vida pode ser fonte de redução de custos, aumento de produtividade e segurança empresarial. E, no momento, em que produtividade e competitividade se tornam obrigação no mercado, a prevenção da saúde daqueles que fazem acontecer se transforma em prioridade.
Por razões culturais, uma pequena parcela de dirigentes de empresas brasileiras ainda não percebeu que é mais vantajoso investir na prevenção da saúde do que gastar com doença. Melhor do que curar é prevenir.

quinta-feira, 12 de março de 2009

"Curso" Escutatória


Rubem Alves


Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas.
Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.
É preciso também que haja silêncio dentro da alma.
Daí a dificuldade:
A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor...
Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.
Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração...
E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.
No fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala.
Há um longo, longo silêncio.
Vejam a semelhança...Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio...
Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas.
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.
Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos...
Pensamentos que ele julgava essenciais.São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades.Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.
Na verdade, não ouvi o que você falou.
Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala.
Falo como se você não tivesse falado.
Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.
É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.
E, assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência...
E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia...
Que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Papai Noel dos Correios

CAMPANHA PAPAI NOEL DOS CORREIOS BUSCA RESGATAR O ESPÍRITO NATALINO

A proximidade do Natal nos remete ao antigo mistério que ronda a imaginação das crianças: - Afinal, Papai Noel existe?

Enquanto alguns insistem em negar a existência do bom velhinho; na ECT o mito acaba servindo como ponto de partida para o lançamento, na próxima segunda-feira (17), de mais uma edição da campanha Papai Noel dos Correios, que visa atender às cartas enviadas no período natalino por crianças de comunidades carentes.

Embora não seja meta dos Correios, o número de correspondências recebidas vem aumentando a cada ano.

Somente em 2007, foram mais de 790 mil cartas recebidas em todo o Brasil, das quais metade foi adotada - possibilitando que a criança recebesse o presente.


O "Papai Noel dos Correios" é uma das ações sociais mais reconhecidas pela sociedade brasileira, tendo recebido, em 2001, o Prêmio Top Social pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), um importante divulgador das iniciativas de organizações que promovem o bem-estar social como parte de suas atividades.

Mais do que promover o nome da ECT, o grande intuito da campanha é resgatar o espírito natalino presente em cada um de nós, contribuindo, assim, para a própria melhoria das condições de vida do País.

Portanto, nos Correios, Papai Noel existe.

CAMPANHA PAPAI NOEL DOS CORREIOS 2008

Começou mais uma edição da campanha Papai Noel dos Correios, que visa atender às cartas enviadas no período natalino por crianças de comunidades carentes.

Como funciona

O destinatário do projeto é a criança que envia pelos Correios uma cartinha ao Papai Noel. As cartas que partem das comunidades carentes em todo o País são separadas e colocadas à disposição de quem quiser adotá-las.

http://www.correios.com.br/institucional/conheca_correios/acoes_cidadania/papai_noel.cfm

Na Diretoria Regional do Rio de Janeiro, este ano, o projeto foi descentralizado, a fim de otimizar as operações. Além do Edifício-sede, onde o atendimento será realizado de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30, estão engajadas no projeto mais 31 agências, indicadas na relação anexa.
http://srj0025/Ascom 2000/Ano_2008/bi/mes_11/anexos/anexo 17_01.pdf

Lembramos às unidades de atendimento e operacionais que toda correspondência destinada a Papai Noel deve ser encaminhada para a GEISB - Av. Presidente Vargas, 3077 - 21º andar - Cidade Nova, local de funcionamento do núcleo de leitura das cartas.Para participar do Projeto Papai Noel dos Correios e realizar os sonhos da garotada, veja as recomendações abaixo:

Idade das crianças: serão atendidas apenas crianças de até 12 anos (conforme estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente - Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos.

Natureza dos pedidos: só devem ser contemplados pedidos de brinquedos, material escolar, roupas e calçados.

Tipo de presentes: só serão aceitos presentes novos e, sempre que possível , de acordo com o pedido da criança.

Local de entrega: os presentes deverão ser entregues devidamente embalados e identificados com o número da carta adotada, no mesmo posto de atendimento dos Correios onde foi feita a adoção.

Prazo de entrega: os padrinhos têm até o dia 15/12/08 para entregar a sua doação nos Correios

Período de atendimento: o atendimento aos interessados em adotar cartas será de 17/11 a 15/12/08.

Entrega em domicílio: os Correios entregarão o presente no endereço indicado pelo remetente da carta.

Destinação dos presentes devolvidos: todos os presentes não entregues pelos Correios, devido a endereço errado ou incompleto, serão destinados a entidades cadastradas no Programa Fome Zero.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O que significa ter quarenta anos? (SR)

Autor: Sergio L.M. Rocha (*)

O que significa completar quarenta anos?
Por que tamanha preocupação?
Talvez por não me preocupar com isto passei direto por este marco e quando me dei conta já tinha passado por muitos deles.
Entendo que a forma que temos de viver é que nos faz sentir e se importar com estes marcos de idade: 15, 18, 21, 30, 40, 50, 60, 65, 70 e por aí vai.
Talvez as mulheres, movidas por uma preocupação exagerada com a sustentação da beleza, se preocupem com eles mais do que os homens. São as rugas, as manchas, as formas do corpo, o ressecamento da pele e dos cabelos, o manequim, a barriguinha, as varizes, a menopausa, os distúrbios hormonais, etc.
O homem por sua vez, preocupado talvez com a sua profissão, o seu salário, a competitividade, com o status, muito provavelmente começam a se preocupar com isso nas fases mais adiantadas, muito mais por causa da ameaça da perda de virilidade do que pela vaidade com a beleza do corpo.

Entretanto nos dias atuais, creio que muitas mulheres já mudaram a sua forma de encarar estes marcos há tanto estabelecidos e que tanto as preocupavam. Chegar a terceira idade já não é tão assustador assim, já que muitas mulheres estão nesta fase com uma disposição de fazer inveja a muitas de trinta. O mundo de hoje assim o permite, através de alimentação, cuidado com o corpo, recreação, lazer, estudos, atividades sociais, tratamentos, medicamentos, etc, que fazem com que, principalmente as mulheres aparentem idades bem abaixo do que possuem. O mesmo acontece com muitos homens que não desprezam os cuidados com a saúde, física e mental.

Envelhecer consciente e de forma saudável é o caminho, aproveitar a vida dentro das possibilidades de cada um, curtir os momentos, por mais simples que seja, um filme, um livro, uma caminhada na praia, ou no campo, uma ginástica, um chopinho, uma ida ao shopping, uma viagem, conhecer um novo lugar, pessoas, uma nova atividade,... ou seja, o importante é se divertir. Experimentar um novo corte de cabelo, uma nova cor ou roupa, novas amizades, a formação de uma nova rede de relacionamentos, traz sem dúvida uma melhora no bem estar dos indivíduos.

Interessante e que a maioria das pessoas, com raríssimas exceções, chegam aos trinta e se vêm com dezoito. Quando chegam aos quarenta, continuam se sentindo com se tivessem vinte ou vinte e cinco. Aos cinquenta têm disposição de trinta. Aos sessenta fazem coisas que com quarenta sequer sonhavam fazer, por absoluta falta de tempo. Aos setenta, o corpo já cobra e se curva mas não impede a pessoa saudável de se manter ativa.

Aos oitenta estão por aí, mantendo muitas famílias, indo a shoppings, praias, viajando, dirigindo o próprio automóvel, enchendo os salões de beleza, praticando tai-chi, hidroginástica, Yoga, escrevendo, compondo, inventando, pesquisando, criando (veja Oscar Niemayer), representando, cantando, clinicando, advogando, praticando esportes, etc...

Então o que representa a idade que temos?

Salvo o desgaste natural provocado pelo envelhecimento celular, ter 20, 30,40, 50, 60 , 70, 80,....nada mais é que um estado de espírito, o resto são convenções que só fazem atrapalhar aos que gostam e sabem viver.

Experiência se adquire enquanto se vive.

O negócio é aproveitar a vida responsavelmente e seguir o ditado “Curta a vida por que a vida é curta!"
(*) Sergio L. M. Rocha é Administrador de empresas CRA-RJ e Consultor empresarial.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Íntegra do discurso de vitória de Barack OBAMA

Senador Barack Obama, 47, eleito presidente dos EUA em 04/11/2008.
"Oi, Chicago.
Se alguém ainda duvida que a América é um lugar onde tudo é possível, ainda pergunta se o sonho dos pioneiros ainda estão vivos em nossos tempos, ainda questiona o poder da nossa democracia, esta noite é sua resposta.
É a resposta das filas que cercaram escolas e igrejas em números que essa nação nunca havia visto. Das pessoas que esperaram três horas e quatro horas, muitas pela primeira vez em suas vidas, porque acreditavam que desta vez precisava ser diferente, que as suas vozes podiam fazer diferença.
Gary Hershorn/Reuters
Obama, as filhas e a mulher, Michelle, durante festa da vitória
É a resposta de jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, índios, gays, heterossexuais, deficientes e não-deficientes. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo de que nós nunca fomos somente uma coleção de indivíduos ou uma coleção de Estados vermelhos e azuis.
Nos somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.
É a resposta que recebeu aqueles que ouviram --por tanto tempo e de tantos-- para serem cínicos, medrosos e hesitantes sobre o que poderiam realizar para que coloquem a mão no arco da história e torçam-no uma vez mais, na esperança de dias melhores.
Faz muito tempo, porém, nesta noite, por causa do que fizemos nesse dia de eleição, nesse momento decisivo, a mudança chegou à América.
Um pouco mais cedo nesta noite, recebi um telefonema extraordinariamente gracioso do senador McCain. Ele lutou muito e por muito tempo nesta campanha. Ele lutou ainda mais e por ainda mais tempo por esse país que ele ama. Ele enfrentou sacrifícios pela América que a maioria de nós nem pode começar a imaginar. Nós estamos melhores graças ao serviços desse líder bravo e altruísta.
Eu o parabenizo e parabenizo a governadora Palin por tudo que eles conquistaram. Eu estou ansioso por trabalhar com eles e renovar a promessa dessa nação nos próximos meses.
Eu quero agradecer meu parceiro nessa jornada, um homem que fez campanha com o coração e que falou para os homens e mulheres com os quais cresceu, nas ruas de Scranton, e com os quais andou de trem a caminho de Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E eu não estaria aqui nesta noite sem a compreensão e o incansável apoio da minha melhor amiga dos últimos 16 anos, a rocha da nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama dessa nação, Michelle Obama. Sasha e Malia [filhas de Obama] eu as amo mais do que vocês podem imaginar. E vocês mereceram o cachorrinho que irá morar conosco na nova Casa Branca.
E, embora ela não esteja mais entre nós, eu sei que minha avó está assistindo, ao lado da família que construiu quem eu sou. Eu sinto falta deles nesta noite. Eu sei que minha dívida com eles está além de qualquer medida.
Para minha irmã Maya, minha irmã Alma, todos os meus irmãos e irmãs, muito obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a eles.
E agradeço ao meu coordenador de campanha, David Plouffe, o herói anônimo da campanha, que construiu o que há de melhor --a melhor campanha política, penso, da história dos EUA.
Ao meu estrategista-chefe David Axelrod, que tem sido um companheiro em todos os passos do caminho. À melhor equipe de campanha reunida na história da política --você fizeram isso acontecer, e eu serei sempre grato pelo que vocês sacrificaram para conseguir.
Mas, acima de tudo, eu nunca esquecerei a quem essa vitória realmente pertence. Isso pertence a vocês. Isso pertence a vocês.
Eu nunca fui o candidato favorito na disputa por esse cargo. Nós não começamos com muito dinheiro ou muitos endossos. Nossa campanha não nasceu nos corredores de Washington. Nasceu nos jardins de Des Moines, nas salas de Concord e nos portões de Charleston. Foi construída por homens e mulheres trabalhadores que cavaram as pequenas poupanças que tinham para dar US$ 5, US$ 10 e US$ 20 para essa causa.
Ela [a campanha] cresceu com a força dos jovens que rejeitaram o mito de apatia da sua geração e deixaram suas casas e suas famílias por empregos que ofereciam baixo salário e menos sono.
Ela tirou suas forças de pessoas não tão jovens assim que bravamente enfrentaram frio e calor para bater às portas de estranhos e dos milhões de americanos que se voluntariaram e se organizaram e provaram que, mais de dois séculos mais tarde, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Essa é a nossa vitória.
E eu sei que vocês não fizeram isso só para ganhar uma eleição. E eu sei que vocês não fizeram tudo isso por mim.
Vocês fizeram isso porque entendem a grandiosidade da tarefa que temos pela frente. Podemos comemorar nesta noite, mas entendemos que os desafios que virão amanhã serão os maiores de nossos tempos --duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira do século.
Enquanto estamos aqui nesta noite, nós sabemos que há corajosos americanos acordando nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscar suas vidas por nós. Há mães e pais que ficam acordados depois de os filhos terem dormido se perguntando como irão pagar suas hipotecas ou o médico ou poupar o suficiente para pagar a universidade de seus filhos. Há novas energias para explorar, novos empregos para criar, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para reparar.
O caminho será longo. Nossa subida será íngreme. Nós talvez não cheguemos lá em um ano ou mesmo em um mandato. Mas, América, nunca estive mais esperançoso do que chegaremos lá. Eu prometo a vocês que nós, como pessoas, chegaremos lá.
Haverá atrasos e falsos inícios. Muitos não irão concordar com todas as decisões ou políticas que eu vou adotar como presidente. E nós sabemos que o governo não pode resolver todos os problemas. Mas eu sempre serei honesto com vocês sobre os desafios que enfrentar. Eu vou ouvir vocês, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, eu vou pedir que vocês participem do trabalho de refazer esta nação, do jeito que tem sido feito na América há 221 anos --bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada por mão calejada.
O que começamos 21 meses atrás no inverno não pode terminar nesta noite de outono. Esta vitória, isolada, não é a mudança que buscamos. Ela é a única chance para fazermos essa diferença. E isso não vai acontecer se voltarmos ao modo como as coisas eram. Isso não pode ocorrer com vocês, sem um novo espírito de serviço, um novo espírito de sacrifício.
Então exijamos um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, com o qual cada um de nós irá levantar e trabalhar ainda mais e cuidar não apenas de nós mesmos mas também uns dos outros. Lembremos que, se essa crise financeira nos ensinou uma coisa, foi que não podemos ter uma próspera Wall Street enquanto a Main Street sofre.
Nesse país, nós ascendemos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistamos à tentação de voltar ao bipartidarismo, à mesquinhez e à imaturidade que envenenou nossa política por tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste Estado que primeiro carregou a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre valores de autoconfiança, liberdade individual e unidade nacional.
Esses são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata obteve uma grande vitória nesta noite, isso ocorre com uma medida de humildade e de determinação para curar as fissuras que têm impedido nosso progresso.
Como [o ex-presidente Abraham] Lincoln [1861-1865] afirmou para uma nação muito mais dividida que a nossa, nós não somos inimigos, e sim amigos. A paixão pode ter se acirrado, mas não pode quebrar nossos laços de afeição. E àqueles americanos cujo apoio eu ainda terei que merecer, eu talvez não tenha ganho seu voto hoje, mas eu ouço suas vozes. E eu preciso de sua ajuda. Eu serei seu presidente também.
E a todos aqueles que nos assistem nesta noite, além das nossas fronteiras, de Parlamentos e palácios, àqueles que se reúnem ao redor de rádios, nas esquinas esquecidas do mundo, as nossas histórias são únicas, mas o nosso destino é partilhado, e uma nova aurora na liderança americana irá surgir.
Àqueles que destruiriam o nosso mundo: nós os derrotaremos. Àqueles que buscam paz e segurança: nós os apoiamos. E a todos que questionaram se o farol da América ainda ilumina tanto quanto antes: nesta noite nós provamos uma vez mais que a verdadeira força da nossa nação vem não da bravura das nossas armas ou o tamanho da nossa riqueza mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inabalável esperança.
Esse é o verdadeiro talento da América: a América pode mudar. Nossa união pode ser melhorada. O que já alcançamos nos dá esperança em relação ao que podemos e ao que devemos alcançar amanhã.
Essa eleição teve muitos "primeiros" e muitas histórias que serão contadas por gerações. Mas há uma que está em minha mente nesta noite, sobre uma mulher que votou em Atlanta. Ela seria como muitos dos outros milhões que ficaram em fila para ter a voz ouvida nessa eleição não fosse por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Ela nasceu apenas uma geração após a escravidão; uma época na qual não havia carros nas vias nem aviões nos céus; quando uma pessoa como ela não podia votar por dois motivos --porque era mulher ou por causa da cor da sua pele. Nesta noite penso em tudo que ela viu neste seu século na América --as dores e as esperanças, o esforço e o progresso, a época em que diziam que não podíamos, e as pessoas que continuaram com o credo: Sim, nós podemos.
Em um tempo no qual vozes de mulheres eram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela viveu para vê-las se levantar e ir às urnas. Sim, nós podemos.
Quando havia desespero nas tigelas empoeiradas e a depressão em toda parte, ela viu uma nação conquistar seu New Deal, novos empregos, um novo senso de comunidade. Sim, nós podemos.
Quando bombas caíam em nossos portos e a tirania ameaçava o mundo, ela estava lá para testemunhar uma geração chegar à grandeza, e a democracia foi salva. Sim, nós podemos.
Ela estava lá para ver os ônibus em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, a ponte em Selma e um pregador de Atlanta que disse "Nós Devemos Superar". Sim, nós podemos.
Um homem chegou à Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo foi conectado por nossa ciência e imaginação. Neste ano, nesta eleição, ela tocou o dedo em uma tela e registrou o seu voto porque, após 106 anos na América, através dos melhores e dos mais escuros dos tempos, ela sabe que a América pode mudar. Sim, nós podemos.
América, nós chegamos tão longe. Nós vimos tanto. Mas há tantas coisas mais para serem feitas. Então, nesta noite, devemos nos perguntar: se nossas crianças viverem até o próximo século, se minhas filhas tiverem sorte suficiente para viver tanto quanto Ann Nixon Cooper, quais mudanças elas irão ver? Quanto progresso teremos feito?
É nossa chance de responder a esse chamado. É o nosso momento.
Esse é nosso momento de devolver as pessoas ao trabalho e abrir portas de oportunidade para nossas crianças; de restaurar a prosperidade e promover a paz; de retomar o sonho americano e reafirmar a verdade fundamental de que, entre tantos, nós somos um; que, enquanto respirarmos, nós temos esperança. E onde estamos vai de encontro ao cinismo, às dúvidas e àqueles que dizem que não podemos. Nós responderemos com o brado atemporal que resume o espírito de um povo: Sim, nós podemos.
Obrigado. Deus os abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América.