segunda-feira, 16 de junho de 2008

Projeto Luz.

Dr. Luciano Gonçalves (*)

A inclusão do exame do Reflexo vermelho no sumário de alta dos recém-nascidos as maternidades ajuda a reduzir a incidência da cegueira causada pela catarata congênita.
Em 1996, o caso de uma criança de seis anos com catarata congênita total no olho direito e parcial no olho esquerdo chamou a atenção dos médicos do Serviço de Oftalmologia do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, da UFRJ.

Além do estágio avançado da doença, o que mais surpreendeu os especialistas foi o fato da criança ter nascido e crescido na Favela da Maré, a pouco mais de 500 metros do hospital. Na época, os médicos se questionaram como uma criança que sempre esteve tão perto do instituto e de outras unidades, como o Hospital Geral de Bonsucesso, demorou tanto a ser tratada.

A necessidade de realização de uma avaliação oftalmológica no fim do primeiro mês de vida da criança, o que dificilmente ocorre em famílias carentes, foi o grande motivador do Projeto Luz do Serviço de Oftalmologia do IPPMG, que tem como objetivo atender as crianças diagnosticadas como portadoras de catarata congênita; implementar ações de prevenção da doença e educação oftalmológica em creches e escolas, onde se encontram crianças carentes; e possibilitar o diagnóstico de ambliopia, baixa acentuada de visão, quase sempre monocular, causada por cataratas, estrabismo, anisometropias e traumas, que pode ser reversível quando a patologia de interrupção da visão é precocemente tratada.

Os oftalmologistas do IPPMG sentiram a necessidade imperiosa de agir e também alertar a população em relação às seqüelas que o atraso no tratamento da catarata congênita pode ocasionar.

Mesmo os médicos não especialistas deveriam ser esclarecidos sobre a doença, uma vez que, devido às diferentes formas de catarata, sua densidade nem sempre é visível.

O alcance social do Projeto Luz é bastante amplo. A catarata congênita ou adquirida antes dos 10 anos de idade deve ser tratada o mais rápido possível para evitar futuros danos físicos.

O Projeto Luz vem estudando as causas da catarata congênita e como é possível prevenir a doença. Uma das causas da patologia é a rubéola adquirida por mulheres durante a gestação.

Hoje, seria possível combater essa causa se houvesse a imunização de rubéola em meninas, na faixa etária de 12 a 13 anos. No entanto, existem outras causas maiores, como a idiopática, que apresenta percentuais altos, e o trauma.

No IPPMG, também há casos de crianças que têm pais com catarata congênita. Para esses pacientes, o Projeto Luz tem um Programa de Aconselhamento Genético para evitar novos casos.

Atualmente, o Projeto Luz é um centro de referência para o diagnóstico e tratamento da catarata congênita, contando com profissionais altamente qualificados.

O Serviço de Oftalmologia do IPPMG já realizou inúmeras cirurgias de catarata congênita. Mensalmente, são atendidas cerca de 200 crianças no ambulatório, sendo que 20% desse total são portadoras de catarata congênita.

O Projeto Luz conta com a participação de médicos e estudantes de medicina voluntários, que divulgam a necessidade de prevenção da catarata congênita e a importância do exame do reflexo vermelho.

O projeto também pretende fazer parcerias com a iniciativa privada para a realização de exames complementares e a doação de lentes, quando necessário.

Desejando mais informações visite o site: http://acd.ufrj.br/projetoluz/index.htm
(*) Dr. Luciano Gonçalves (*) é Professor Adjunto de Oftalmologia da UFRJ, fundador do Serviço de Oftalmologia do IPPMG/UFRJ e responsável pela disciplina de Oftalmologia da Escola de Medicina da Unigranrio.

TPM - um problema que afeta homens e mulheres.

Dr. Arnaldo Cambiaghi (*) (especialista em Reprodução Humana e diretor clínico do IPGO – Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia.)

Atualmente o sucesso feminino na vida profissional é inquestionável. A mulher moderna consegue conciliar vida familiar, carreira e atividades sociais com muito jogo de cintura e disposição. Mas isso não significa que seja fácil para ela assumir tantos papéis. Até porque um dos principais obstáculos pode partir de seu próprio organismo e, muitas vezes, nem mesmo é encarado como um problema: a TPM.
A Tensão Pré-Menstrual ou TPM afeta nada menos que 75% das mulheres em idade fértil. Destas, cerca de 8% apresentam o distúrbio em grau elevado. E apenas 7% das mulheres nunca tiveram sintomas. Sua ação pode ser tão prejudicial à vida da mulher, que não é raro ocorrerem demissões por causa de brigas ou faltas no trabalho durante a TPM. Sem contar que inúmeros acidentes são causados pela diminuição da concentração neste período.
Os homens também sofrem com o problema, já que é mais difícil lidar com as mulheres durante os dias críticos da doença.

“A TPM pode tornar a vida tanto da mulher quanto do homem mais difícil. Basta olhar a sua volta para constatar que sempre estamos próximos de mulheres que podem sofrer deste mal”.
A TPM possui inúmeros sintomas físicos e psicológicos, que variam desde a sensação de inchaço causada pela retenção de líquidos, até a instabilidade emocional, como raiva e crises de choro. Normalmente, o problema se caracteriza pela combinação de dois ou mais sintomas, que se repetem por meses seguidos. Ocorre, em média, 10 dias antes do início da menstruação e geralmente acaba no primeiro dia do fluxo menstrual.
As causas do distúrbio ainda não são bem conhecidas. A maioria dos especialistas acredita que ele pode ser causado por alterações bioquímicas dos hormônios e variações nos neurotransmissores, problemas que podem ser desencadeados pelos hábitos alimentares e pelo estilo de vida.
Um fator preocupante é que a maioria das mulheres ainda vê a TPM como um problema corriqueiro e inevitável, e muitas até não admitem que sofram do distúrbio. “A Tensão Pré-menstrual é comum, mas não deve ser considerada normal”.
Existem quatro grupos principais de TPM:

· O primeiro grupo é formado por mulheres cujos sintomas predominantes são a agressividade e a ansiedade;
· O segundo, engloba aquelas que apresentam grande quantidade de alterações afetivas, como, por exemplo, os sintomas depressivos;
· Terceiro grupo é composto pelas mulheres que possuem alterações físicas, resultantes da retenção delíquidos;
· E o quarto grupo é formado por aquelas que sentem, durante o período, mudanças alimentares, como a falta de apetite ou o desejo insaciável por determinado alimento.

Isso não significa que a mulher não possa ter sintomas de dois ou mais grupos durante a TPM, porém sua classificação depende do sintoma mais comum.
Para tratar do problema, antes de qualquer atitude deve-se consultar um(a) ginecologista, pois a TPM é um distúrbio que varia de mulher para mulher. Só uma análise individual pode indicar o tratamento adequado. Além disso, mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares também são muito importantes para combater o problema. A mulher deve beber bastante água, evitar doces e alimentos gordurosos e ricos em sal. Praticar alguma atividade física também ajuda, pois libera endorfina, que provoca a sensação de bem-estar”.
Uma dica para os homens conviverem melhor com as mulheres nesse período é procurar ajudar nas tarefas domésticas, deixar as críticas para um outro momento e colaborar para que ela mantenha distância do café e do álcool.
Alguns sintomas provocados pela TPM:

· depressão, sentimento de desesperança, pensamentos auto-depreciativos;
· ansiedade, tensão, nervosismo, excitação;
· fraqueza afetiva, tristeza repentina, choro fácil, sentimento de rejeição;
· raiva ou irritabilidade persistente, aumento dos conflitos interpessoais;
· diminuição do interesse pelas atividades habituais;
· sensação de dificuldade de concentração;
· cansaço, fadiga fácil, falta de energia;
· acentuada alteração do apetite;
· distúrbios do sono;
· sensação de estar fora do próprio controle;
· inchaço e/ou sensibilidade mamária aumentada;
· dor de cabeça;
· dores musculares;
· ganho de peso ou sensação de inchaço;

Não deixe a TPM estragar a tua vida, se perceber alguns destes sintomas procure um(a) ginecologista e converse sobre o assunto.
Se quiser saber mais sobre o assunto visite o site: http://www.psiqweb.med.br/sexo/tpm.html

(*) Dr. Arnaldo Cambiaghi é especialista em Reprodução Humana e diretor clínico do IPGO – Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia.

Sociedade inclusiva – Afinal o que é isto?

Andrea Godoy PUC-MG



Diante de tantas mudanças que hoje vimos eclodir na evolução da sociedade, surge um novo movimento, o da inclusão, conseqüência de uma visão social, de um mundo democrático, onde pretendemos respeitar direitos e deveres. A limitação da pessoa não diminui seus direitos: são cidadãos e fazem parte da sociedade como qualquer outro. É o momento de a sociedade se preparar para lidar com a diversidade humana.
Todas as pessoas devem ser respeitadas, não importa o sexo, a idade, as origens étnicas, a opção sexual ou as deficiências.Uma sociedade aberta a todos, que estimula a participação de cada um e aprecia as diferentes experiências humanas, e reconhece o potencial de todo cidadão, é denominada sociedade inclusiva.
A sociedade inclusiva tem como objetivo principal oferecer oportunidades iguais para que cada pessoa seja autônoma e autodeterminada.
Dessa forma, a sociedade inclusiva é democrática, reconhece todos os seres humanos como livres e iguais e com direito a exercer sua cidadania.
Ela é, portanto, fraterna: busca todas as camadas sociais, atinge todas as pessoas, sem exceção, respeitando-as em sua dignidade.
Mas, para que uma sociedade se torne inclusiva, é preciso cooperar no esforço coletivo de sujeitos que dialogam em busca do respeito, da liberdade e da igualdade.
Como sabemos, nossa sociedade ainda não é inclusiva. Há grupos de pessoas discriminadas, inclusive nas denominações que recebem: inválido, excepcional, deficiente, mongol, “down”, surdo, manco, ceguinho, aleijado, torto, zarolho, vesgo, maluco, demente...
Essas palavras revelam preconceito, e, através delas, estamos dizendo que essas pessoas precisam mudar para que possam estar convivendo na sociedade. O problema é do surdo, que não entende o que está sendo dito na TV, e não da emissora que não colocou a legenda; é do cego, por não saber das novas leis, e não do poder público que não as divulga oralmente ou em braile; é do deficiente físico, que não pode subir escadas, e não de quem aprovou uma construção sem rampas. Assim, dizemos que é de responsabilidade da pessoa com deficiência a sua integração à sociedade.
O termo inclusão, diferentemente, indica que a sociedade, e não a pessoa, deve mudar. Para isso, até as palavras e expressões para denominar as diferenças devem ressaltar os aspectos positivos e, assim, promover mudança de atitudes em relação a essas diferenças.
É nosso dever fornecer mecanismos para que todos possam ser incluídos.

Estamos vivendo um momento histórico muito importante.

Vários segmentos sociais lutam pelos seus direitos de inclusão na sociedade. É o que acontece com as mulheres, negros, índios, sem-terra e tantos outros excluídos.

Embora não tenham conseguido plenamente sua inclusão na sociedade, muito já avançaram.

Como esses, há um outro grupo de excluídos – as pessoas com deficiência, que não têm acesso aos direitos que devem pertencer a todos: educação, saúde, trabalho, locomoção, transporte, esporte, cultura e lazer.

Leis têm sido criadas para a garantia desses direitos, o que já é um grande passo. Mas, apesar delas, percebemos que nós excluímos as pessoas que consideramos diferentes.

Precisamos, então, conhecer e reconhecer essas pessoas que vivem a nossa volta, excluídas por nossa própria ação.

Se desejamos realmente uma sociedade democrática, devemos criar uma nova ordem social, pela qual todos sejam incluídos no universo dos direitos e deveres.

Para isso, é preciso saber como vivem as pessoas com deficiência, conhecer suas expectativas, necessidades e alternativas.

Como isso que acontece comigo se passa com o outro que é diferente de mim? Como é ser pai ou mãe de um garoto que não enxerga? Como funciona a casa de uma família de deficientes auditivos? Como é a vida de uma pessoa que precisa de uma cadeira de rodas para se locomover? Como uma pessoa que tem deficiência mental aprende?

Essas perguntas podem nos levar a pensar sobre as dificuldades e as conquistas desses excluídos e pensar na possibilidade de concretização dos seus direitos: soluções simples e concretas para que possam estar nas salas de aula; plena assistência à saúde; qualificação profissional; emprego; prática de esporte; cultura e lazer.

Isso só se realizará se cada um de nós se fizer a pergunta: o que eu posso fazer, como empresário, como bombeiro, professor, balconista, comerciante, funcionário público, engenheiro, médico, advogado, dona de casa, motorista de ônibus, entregador, para contribuir na inclusão daqueles que são apenas diferentes de mim?

Buscar respostas para essa pergunta é um aprendizado nem sempre fácil: exige o desejo de conhecer, de se arriscar, de se envolver e agir.

A limitação da pessoa não diminui seus direitos: são cidadãos e fazem parte da sociedade como qualquer outro. É o momento de a sociedade se preparar para lidar com a diversidade humana.

Todas as pessoas devem ser respeitadas, não importa o sexo, a idade, as origens étnicas, a opção sexual ou as deficiências.

Uma sociedade aberta a todos, que estimula a participação de cada um e aprecia as diferentes experiências humanas, e reconhece o potencial de todo cidadão, é denominada sociedade inclusiva.

DEFICIÊNCIA é todo e qualquer comprometimento que afeta a integridade da pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimento, na fala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção e contato com as outras pessoas.

A deficiência gera dificuldades ou impossibilidade de execução de atividades comuns às outras pessoas, e, inclusive, resulta na dificuldade da manutenção de emprego.

Por isso, muitas vezes, é necessária a utilização de equipamentos diversos que permitam melhor convívio, dadas as barreiras impostas pelo ambiente social.

As palavras agem sobre as pessoas. Elas podem ou não discriminar. O que dizemos mostra o que pensamos, o que desejamos, o que agimos. Palavra é ação. Palavras diferentes produzem sentidos diferentes.

Por isso, quando dizemos que alguém é um deficiente físico, estamos discriminando essa pessoa.

Veja como tudo muda se falamos de pessoas com deficiência ou pessoa portadora de necessidades especiais. Nesse caso, a pessoa não é deficiente, mas apresenta uma deficiência, o que é outra idéia.

Portanto, uma boa forma de mudar o mundo é mudar as palavras que usamos.

Algumas dicas que ajudam a convivência com pessoas portadoras de deficiência:

- Diga “pessoa com deficiência”, “pessoa portadora de deficiência” ou “pessoa portadora de necessidades especiais”. O termo “deficiente” é considerado pejorativo.
- Aja com naturalidade. O deficiente não é incapaz, por maiores que sejam suas dificuldades. Ofereça ajuda, mas se ele não aceitar, não considere isso orgulho ou ofensa. Ele simplesmente se vira sozinho.
- Se você não se sentir seguro para fazer algo solicitado por uma pessoa portadora de deficiência, recuse com delicadeza e procure alguém que possa ajudar.
- Não provoque o isolamento. A pessoa com deficiência pode expressar suas próprias opiniões, mesmo que tenha de usar equipamentos adaptados para isso.
- Esteja atento para a existência de barreiras arquitetônicas e a necessidade de colocar referências em braile, quando for contratar uma pessoa com deficiência.
- Permita que o portador de deficiência seja acompanhado por outra pessoa ou cão-guia.
- Adapte produtos e serviços para que possam ser utilizados por pessoas com deficiência. Isso caracteriza uma atitude inclusiva por parte de empresas, prestadores de serviço e funcionários.
- Ao fazer um convite, informe se o local possui ou não instalações e estacionamento adequados para os portadores de deficiência.

O poder do cidadão.

Herbert de Souza (Betinho)

"A fome é a realidade, o efeito e o sintoma da ausência de cidadania.
Não é por acaso que a palavra cidadania está sendo cada vez mais falada e praticada na sociedade brasileira. Uma boa onda democrática que vem rolando mundo afora chegou ao Brasil há algum tempo e tem nos ajudado a descobrir como dar conta do que acontece na vida pública.
Cidadania é a consciência de direitos democráticos, é a prática de quem está ajudando a construir os valores e as práticas democráticas. No Brasil, cidadania é fundamentalmente a luta contra a exclusão social, contra a miséria, e mobilização concreta pela mudança do cotidiano e das estruturas que beneficiam uns e ignoram milhões de outros. E querer mudar a realidade a partir da ação com os outros, da elaboração de propostas, da crítica, da solidariedade e da indignação com o que ocorre entre nós.
Um cidadão não pode dormir com um sol deste: milhares de crianças trabalhando em condições de escravidão, trabalhadores sobrevivendo com suas famílias num quadro de miséria e de fome, a exploração da mulher, a descriminação do negro, uma elite rica esbanjando indiferença num mundo de festas e desperdícios escandalosos, de banqueiros metendo a mão no dinheiro do depositante, da polícia batendo em preto e em pobre.
A fome é a realidade, o efeito e o sintoma da ausência de cidadania. O ponto de partida e de chegada das ações cidadãs. A negação radical da miséria é um postulado de mudança radical de todas as relações e processos que geram a miséria. É passar a limpo a história, a sociedade, o Estado e a economia. Não estamos falando de coisas abstratas, de boas intenções ou desejos humanitários de alguns.
Cidadania é, portanto, a condição da democracia. O poder democrático é aquele que tem gestão, controle, mas não tem domínio nem subordinação, não tem superioridade nem inferioridade. Uma sociedade democrática é uma relação entre cidadãos e cidadãs. É aquela que se constrói da sociedade para o Estado, de baixo para cima, que estimula e se fundamenta na autonomia, independência, diversidade de pontos de vista e sobretudo na ética - conjunto de valores ligados à defesa da vida e ao modo como as pessoas se relacionam, respeitando as diferenças, mas defendendo a igualdade de acesso aos bens coletivos.
O cidadão é o indivíduo que tem consciência de seus direitos e deveres e participa ativamente de todas as questões da sociedade. Um cidadão com sentido ético forte e consciência de cidadania não abre mão desse poder de participação."

Transplante - um dia você pode precisar.

Texto obtido do site www.adote.org.br

"Transplante é muito mais do que uma simples cirurgia. É um procedimento que envolve a mais profunda conexão entre seres humanos." - James F. Burdick.

O transplante é, sem dúvida, a tão esperada resposta para milhares de pessoas com insuficiências orgânicas terminais ou com incapacidades crônicas.

É, sem dúvida, um procedimento médico com enormes perspectivas, porém impossível de ser executado sem o consentimento de uma população consciente da possibilidade, da necessidade e responsabilidade de depois da morte, destinar os seus órgãos para salvar vidas.
No cenário dos transplantes não existem estrelas, todos - pacientes, médicos e doadores são igualmente importantes, pois não existe transplante sem doador.
A escassez de órgãos para transplantes, mais acentuada no Brasil do que em outros países, somenteserá resolvida através de um intenso esforço de educação de toda a sociedade, incluindo, em curtoprazo e em especial, os profissionais de saúde, atores que dão início e finalizam o processo. Nãomenos importante é a implementação de políticas de saúde pública que dêem prioridade a prevenção dedoenças que levam a indicação de transplante.
A conscientização da sociedade como um todo, tarefa de longo prazo, deve ser iniciada nas escolas, ocentro ideal de formação integral dos jovens, incluindo o exercício da cidadania. Neste sentido, aincorporação dessa temática nos conteúdos curriculares dos diversos níveis de ensino é determinantepara se lograr uma atitude crítica que permita o debate e a análise dos avanços científicos queinfluenciam a nossa saúde e determinam o rumo da nossa existência.
Afinal de contas, os estudantes de hoje são os futuros médicos, enfermeiros, assistentes sociais,psicólogos, biólogos, engenheiros, pesquisadores, técnicos de laboratórios, cidadãos, governantes epotenciais doadores e receptores de órgãos, beneficiários da admirável tecnologia dos transplantes.
Adote a vida. Seja um doador.
MENSAGEM DE UM DOADOR - Robert N. Test – 1978

· Não chamem o meu falecimento de leito da morte, mas de leito da vida.
· Dêem minha visão ao homem que jamais viu o raiar do sol, o rosto de uma criança ou o amor nos olhos de uma mulher.
· Dêem meu coração a uma pessoa cujo coração apenas experimentou dias infindáveis de dor.
· Dêem meu sangue ao jovem que foi retirado dos destroços de seu carro, para que ele possa viver para ver os seus netos brincarem.
· Dêem os meus rins às pessoas que precisam de uma máquina para viver de semana em semana.
· Retirem meus ossos, cada músculo, cada fibra e nervo do meu corpo e encontrem um meio para fazer uma criança inválida caminhar.
· Explorem cada canto do meu cérebro. Retirem minhas células, se necessário, e deixem-nas crescerem para que, um dia, um menino mudo possa ouvir o gritar em um momento de felicidade ou uma menina surda possa ouvir o barulho da chuva de encontro à sua janela.
· Queimem o que restar de mim e espalhem as cinzas ao vento, para ajudarem as flores brotarem.
· Se tiverem que enterrar algo, que sejam meus erros, minhas fraquezas e todo o mal que fiz aos meussemelhantes.
· Dêem meus pecados ao diabo. Dêem minha alma a Deus.
· Se, por acaso, desejarem lembrar-se de mim, façam-no com ação ou palavra amiga a alguém que precise de vocês.
· Se fizerem tudo o que pedi, estarei vivo para sempre.”

Xaxim corre o risco de sumir do mapa.

Suplemento Agrícola ( Jornal O Estadão)

Ela é uma das espécies vegetais mais antigas e contemporânea dos dinossauros: é a Dicksonia selowiana, conhecida como samambaia -açu (em tupi açu = grande) de cujo tronco se extrai o xaxim - amatéria-prima para a fabricação de vasos e substratos.
Planta típica da Mata Atlântica, está na lista oficial das espécies brasileiras ameaçadas de extinção (Ibama), em razão da sua intensa exploração comercial destinada à jardinagem e floricultura. Pode alcançar 10 metros de altura, como uma palmeira; era abundante na Serra do Mar, do Rio deJaneiro ao Rio Grande do Sul, habitando os locais bem úmidos. Verdadeiro fóssil vivo das florestas pré-históricas. Há outras grandes samambaias no Brasil e no mundo. Contudo, essa espécie atualmente encontra-se em risco de extinção, a ponto de a extração e exploração comercial da samambaia-açu, estar proibida em todo o território nacional através da Resolução Conama 278/1 de 24 de maio de 2001.

Por essa razão, todo material que possa substituir o uso dessa espécie é mais do que bem-vindo, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico.
Para obter mais informações científicas e, ao mesmo tempo, maior controle sobre a extração e comercialização da espécie, o Ibama formou, no ano 2000, o Grupo Técnico de Conservação de Pteridófilas, com a participação de especialistas do governo e das universidades federais de SantaCatarina e do Rio Grande do Sul.
A principal meta era estabelecer formas sustentáveis de exploração da espécie. Já no ano 2001, uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) passou a proibir a extração dessa espécie da mata.
A área de maior ocorrência do xaxim na Mata Atlântica é a Floresta das Araucárias, nos estados do Sul do país e é justamente lá que acontece a maior exploração da planta.
Segundo declaração de Jefferson Prado, pesquisador do Instituto de Botânica de São Paulo, publicada na Revista Natureza (junho/2002), a velocidade de crescimento da samambaiaçu varia, mas costuma ser muito lenta - geralmente ela cresce cerca de 5 a 8 cm por ano. Por essa medida, estima-se que para conseguir um vaso com 40 a 50 cm de diâmetro são extraídas da mata samambaia-açus com idade mínima de 50 anos!
Hoje, existem no mercado produtos alternativos que substituem o xaxim, como vasos fabricados a partir da fibra do coco e também substratos como palha de coco, ardósia e carvão. Ao optar por estes produtos estamos ajudando a preservar a existência da Dicksonia selowiana nas matas.
Aproveitamento da fibra de coco para substituir o xaxim.
Já foi descoberto que as cascas de coco além de servirem como adubo orgânico, prestam-se bem para fabricação vasos, em substituição ao tradicional xaxim.
Para se ter uma idéia do volume de cascas de coco produzido por ano no País, Philippe Jean, doProjeto Coco Verde, afirma que apenas no verão o Rio de Janeiro produz 600 toneladas do produto. "É uma das maiores fontes de resíduos sólidos e um grave problema, principalmente se levarmos em conta que as cascas de coco levam de 8 a 12 anos para se decomporem nos aterros sanitários.

O Projeto Coco Verde compreende um sistema cíclico, organizado em várias etapas. Cada uma delas movimenta um ou mais setores da economia com repercussões sociais, ambientais e comerciais. Esta integração acompanha a empresa em cada uma de suas ações, é o compromisso de que estamos envolvidos em uma atividade global e única, onde entendemos que esta atitude é uma obrigação empresarial e que, portanto, faz parte do nosso ciclo comercial e definem nossas premissas básicas,que são: preservação do meio ambiente, proteção da natureza e o bem estar social.
A coleta do coco verde sem água é outra ação desenvolvida pelo projeto, sendo considerada uma antecipação das futuras determinações e legislações; as quais determinarão que cada um deve serresponsável pelo lixo gerado pelo seu negócio.
Cabe lembrar que a cidade do Rio de Janeiro tem um consumo diário médio (inverno/verão) de 420 mil cocos. Cada coco gera 1,5 kg de lixo, isso acarreta 630 toneladas que são recolhidos por empresas privadas (em shoppings, etc.) e principalmente pela COMLURB, que, por ser uma empresa de limpeza pública, tem seus custos pagos pela população, isto é, quanto mais lixo produzido, mais custos, conseqüentemente, mais impostos.
O coco verde sem água é coletado e reciclado nas instalações do Projeto Coco Verde, onde são desenvolvidos produtos cuja matéria prima é o coco verde reciclado. Não se conhece o limite de produtos possíveis, e através de um processo inovador e exclusivo são produzidos, em escala industrial, mais de 100 produtos, entre os quais: vasos, placas e palitos para paisagismo, forragem, substrato, material de decoração, placas acústicas e térmicas, etc. Alguns dos produtos do coco verde reciclado substituem, com inúmeras vantagens, todos artefatos produzidos com o xaxim, que em extinção, tem sua extração regulamentada por lei.
Neste caso, o Projeto Coco Verde contribui com a preservação ambiental e oferece alternativa vantajosa para vários segmentos da agricultura, indústria e comércio que tem o xaxim como componente principal ou complementar de seus produtos.

Decifra-me ou devoro-te.

prof. Paulo Botelho

"Não é a contaminação que ameaça o meio ambiente, mas a impureza do ar e da água."
George Bush, presidente dos Estados Unidos.

A conclusão de Bush faz lembrar o drama de Édipo, personagem trágico do poeta grego Sófocles. Para salvar uma cidade subjugada por uma esfinge (monstro mitológico) que ameaçava o povo de fome e de peste, Édipo teria que resolver o enigma proposto por ela: "Decifra-me ou Devoro-te".

Transpondo esse enigma para os nossos dias, estamos assim como Édipo. Os problemas ambientais estão a nos dizer, diariamente, "Decifra-me ou Devoro-te".

Lixo, poluição, enchente! As cidades das regiões metropolitanas continuam jogando esgoto e entulhos nos rios, lagos e lagoas. Os sacos de lixo - colocados fora de horário de recolhimento por toda a cidade - são rasgados pelos cães e esse lixo vai entupir bueiros e galerias. Os milhares de pneus encontrados nos rios e nas lagoas não chegaram lá rodando sozinhos!

Não é difícil identificar os poluidores. Eles têm cabeça, tronco, membros e rabo!

"O rio não enche. São as pessoas é que invadem a sua área de expansão" diz Benedito Lima, professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Precisamos de campanhas continuadas de conscientização para a cidadania; de consideração ao meio ambiente dia e noite. Hegel, filósofo alemão, em A Fenomenologia do Espírito diz: "Em cada anoitecer dorme uma porção de luz, mas há quem apague as luzes de dentro". - Fico pensando que existem pessoas que já nascem mesmo sem os fios ou sem os mecanismos dessa visão hegeliana(*)!

Aécio Pereira Chagas, professor do Instituto de Química da Unicamp, conta como anda a cabeça das pessoas por aí. Ele conta que uma questão de vestibular pedia ao aluno que distinguisse uma porção de sal de uma porção de açúcar, mas sem provar nenhuma delas. Um vestibulando respondeu o seguinte:

"É só dissolver cada produto em água, pegar uma seringa, chamar um diabético e injetar a solução na veia dele. Se ele morrer, é açúcar!" Aécio disse que quase desabou quando leu essa resposta.

Retomando o enigma da esfinge, Édipo então chama Tirésias. Por sua vez, o cego Tirésias, que enxergava a verdade, diz a Édipo: "Os dois olhos que tens pouco adiantam, pois não vês a miséria que te cerca; em teus olhos, que pensas ver claro, contém uma treva irreversível".

"Não é a contaminação que ameaça o meio ambiente, mas a impureza do ar e da água". - Acho que é por isso que Bush não assinou até hoje o Protocolo de Kyoto!

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor e Consultor de Empresas para Programas de Engenharia da Qualidade, Antropologia Empresarial e Gestão Ambiental. Membro da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Nota:
(*) hegelianismo - Doutrina de Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), filósofo alemão, e de seus seguidores, idealismo absoluto que identifica a realidade com a razão (“todo real é racional”), compreendida esta por meio do desenvolvimento histórico da consciência, do que resultou a criação do método dialético. [Cf. direita hegeliana e esquerda hegeliana.]